Festival de Veneza 2009

Segundo filme brasileiro em Veneza, "Insolação" fala de amor

Neusa Barbosa

Veneza - Daniela Thomas (codiretora de Linha de Passe) e Felipe Hirsch levaram para o cinema uma parceria que começou no teatro, o que resultou no filme que dirigiram juntos, Insolação, segunda produção brasileira a ser exibida no 66º Festival de Veneza, na mostra paralela Horizontes – que também é competitiva. Nesta seção, foi apresentado na sexta (4) também Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Ainouz (O Céu de Suely) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus).

Ao contrário do filme de Ainouz e Gomes, Insolação é 100% ficcional e tem pelo menos um aspecto estrangeiro. O roteiro foi escrito por dois norte-americanos, o dramaturgo Will Eno – indicado ao prêmio Pulitzer por sua peça “Thom Pain”- e Sam Lipsyte, autor da coletânea de contos “Venus Drive” e do romance “Home Land”, relacionado entre os livros de maior destaque em 2005 pelo jornal “The New York Times”.

A pedido dos diretores brasileiros, os dois roteiristas escreveram uma história inspirada em contos de escritores russos, como Tchecov, Turgeniev e Pushkin. Na coletiva do filme, nesta tarde de domingo (6), Felipe Hirsch explicou ter conhecido Will Eno a partir do teatro, especialmente a partir de um texto dele chamado “Temporada de Gripe”.

A beleza do texto de Eno atraiu também Daniela Thomas, que destacou que não houve dificuldades neste trabalho intercontinental entre os quatro – apesar de Eno na época trabalhar em Londres, Daniela morar em São Paulo e Hirsch, em Curitiba. “Nós resolvemos trabalhar com quem achássemos bacana, independente de onde morasse, até porque isso já funciona comigo e o Felipe”. Os diretores brasileiros são parceiros no teatro há dez anos, Hirsch como diretor, Daniela, como cenógrafa. Seu trabalho mais recente foi a peça “Não Sobre o Amor”. Insolação é o filme de estreia de Hirsch.

É uma narrativa fragmentada entre diversos personagens, divididos entre a procura e a perda do amor. O elenco inclui diversos nomes conhecidos, como Paulo José, Leonardo Medeiros, Simone Spoladore, Leandra Leal, Maria Luísa Mendonça, entre outros.

Daniela Thomas explicou que a escolha de Brasília como cenário do filme foi motivada por motivos visuais. Ao mesmo tempo, a capital traduz também um clima por trás do filme. “Brasília carrega toda a construção racional de uma utopia, da busca de um homem novo e de um mundo novo e como a falência dessa utopia ecoa ali de forma poderosa”, frisa a diretora.

Felipe Hirsch, por sua vez, acrescentou que a intenção maior do filme é “falar de um sentimento”. Assim sendo, ele e Daniela “comparam a utopia fracassada de Brasília a uma paixão, a esses amores inalcançáveis que buscamos”.


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