Veneza 2012

Sul-coreano "Pietà", de Kim Ki-duk, ganha Leão de Ouro

Neusa Barbosa, de Veneza

O forte drama Pietà (foto ao lado), do diretor sul-coreano Kim Ki-duk, venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Na história, uma mulher (a ótima atriz Cho Min-soo, que era favorita para o prêmio de melhor atriz) aparece na vida de um jovem e cruel gângster (Lee Jung-jin), dizendo-se sua mãe e mantendo com ele um relacionamento dúbio, que encobre um intrincado plano de vingança.O cineasta, que havia vencido o prêmio de melhor diretor em 2004 por Casa Vazia, agradeceu cantando no palco a canção Arirang, que emprestou seu nome ao documentário autobiográfico por ele apresentado há um ano em Cannes, em que expõe um recente processo de depressão que ele enfrentou.
Um dos favoritos mais cotados desta edição, o norte-americano The Master, de Paul Thomas Anderson, levou o Leão de Prata de melhor direção, além do prêmio de melhor ator dividido entre seus dois protagonistas, Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix.O Prêmio Especial do Júri foi para a produção austríaca Paradise: Faith, de Ulrich Seidl, um dos escândalos em Veneza por mostrar sua protagonista (Maria Hofstätter), uma católica fanática, autoflagelando-se e masturbando-se com um crucifixo. Aliás, a maior confusão da noite de premiação foi justamente a troca inicial dos prêmios de Anderson e Seidl – um erro cometido numa distração do próprio presidente do júri, o cineasta norte-americano Michael Mann.
Único representante de The Master a permanecer em Veneza, o ator Philip Seymour Hoffman, já havia até agradecido o Prêmio Especial do Júri que, no final, era de Seidl. Os dois trocaram suas estatuetas no palco, encerrando um dos maiores micos da história deste vetusto festival, que completou seus 80 anos de idade e sua 69ª. edição este ano. Mas todos os envolvidos levaram no bom humor, felizmente.

Atores
Num ano em que havia tantas atrizes defendendo papéis fortes, caso do próprio Pietà e sua ótima Cho Min-soo ou a alemã Franziska Petri do filme russo Izmena, de Kyrill Serebrennikov – um dos bons títulos totalmente ignorados pela premiação -, foi uma decepção a premiação com a Copa Volpi para a jovem israelense Hadas Yaron, do drama Fill the Void, de Rama Burshtein - que focaliza sem grande brilho o fechado microcosmo dos judeus ortodoxos de Israel.
Um dos melhores filmes da seleção deste ano, o drama italiano Bella Addormentata, de Marco Bellocchio, só levou um prêmio paralelo, o troféu Marcello Mastroianni (ator revelação) para Fabricio Falco, que estrelou outro bom concorrente italiano, È Stato il Figlio, de Daniele Ciprì. O filme de Ciprì venceu também o troféu de melhor contribuição técnica. Nos dois casos, pareceu prêmio de consolação para os nacionais.
O francês Olivier Assayas ganhou o prêmio de melhor roteiro por seu excelente drama político, retrato da geração 1970, Après Mai. Troféu merecido, mas que pareceu pouco para o que o filme consolidou.

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