“Hoje”, de Tata Amaral, é o grande vencedor em Brasília

Festival de Brasília antecipa calendário e desiste de ineditismo

Neusa Barbosa

Festival de Brasília antecipa calendário e desiste de ineditismo
Em sua 44ª edição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais antigo do País, que começa nesta segunda (26-9), deu uma sacudida – antecipou em dois meses a sua data de realização (de novembro para setembro), introduziu a exibição digital em suas mostras competitivas, aumentou o prêmio de melhor longa (de R$ 80.000,00 para R$ 250.000,00, igualando o Festival de Paulínia) e abriu mão do ineditismo na seleção dos concorrentes à sua seção competitiva.
 
Com a antecipação de sua data, a nova coordenação do festival resolve, em tese, seu pior problema: acontecer no final do calendário anual, com opções reduzidas de seleção ao vir logo depois de festivais grandes, como o Festival do Rio e Mostra de São Paulo.
 
De todas as mudanças, a desistência do ineditismo é mais polêmica. Nesta primeira experiência no novo formato, Brasília terá mais da metade dos concorrentes em longas 35 mm, ou seja, quatro deles, já exibidos e até premiados em outros festivais anteriores. É o caso de Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, que teve sua avant première na seção Un Certain Regard, no Festival de Cannes, além de premiado com dois troféus (Especial do Júri e melhor som) no Festival de Paulínia, em julho, e com estreia comercial marcada para 30 de setembro, dias depois de sua sessão brasiliense.
 
Também veio de Paulínia o drama Meu País, do estreante em longas André Ristum – que não venceu prêmios ali e tem no elenco um forte trio de atores, Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauã Reymond, vivendo um problemático trio de irmãos. Igualmente passou primeiro em Paulínia a atração da noite de abertura de Brasília, Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho (vencedor do prêmio de melhor documentário no festival paulista). A diferença é que a sessão brasiliense vai contar com presenças especialíssimas do rock local, personagens do filme – como o vocalista e guitarrista Philippe Seabra e o baixista André Mueller, da Plebe Rude, o baterista Fê Lemos e o baixista Flávio Lemos, do Capital Inicial, além de Carmem Tereza Manfredini (irmã de Renato Russo).
 
Do último Festival de Gramado foi selecionado o concorrente As Hiper-mulheres, documentário que resgata um antigo ritual feminino indígena entre os kuikuros, e que foi codirigido por um deles, Takumã Kuikuro, ao lado do antropólogo Carlos Fausto e do também montador Leonardo Sette (do curta Ocidente). O filme venceu um Prêmio Especial do Júri e também de melhor montagem em Gramado.
 
O concorrente baiano O homem que não dormia, de Edgar Navarro – grande vencedor em Brasília 2005 com seis prêmios para seu intimista Eu me lembro -, teve sua avant première em julho na Mostra Internacional do CineFuturo, em Salvador.
 
Inéditos, portanto, somente os outros dois concorrentes, o drama Hoje, da paulistana Tata Amaral, que tem Denise Fraga e o uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa, Cabeça a Prêmio) no elenco, revisitando o drama de uma mulher que procura superar suas perdas na ditadura militar; e o documentário Vou rifar meu coração, uma entrada no mundo da música brega, de Lindomar Castilho a Amado Batista, dirigido pela carioca Ana Rieper.
 
Todos os filmes são, é claro, inéditos em Brasília – o que pode demonstrar uma intenção, ao menos nesta edição, de ter um festival com foco mais local do que nacional.
 
Curtas de animação
Outra novidade na programação é a inclusão de uma mostra competitiva de curtas de animação, com 12 concorrentes, contemplando um setor muito dinâmico no País e que poderá funcionar como atrativo à conquista de platéias mais jovens. Completa a competição a seção de curtas em outros formatos, com outros 12 competidores, alguns igualmente não inéditos.
 
Seminário com ministra
Um dos eventos que deve atrair as maiores atenções é o seminário Novas Perspectivas para o Cinema e o Audiovisual Brasileiro, que será aberto na quarta (28), com a presença da ministra da cultura, Ana de Hollanda.  Estendendo-se por três dias, o evento contará com a presença de políticos – como o ex-ministro, José Dirceu -, produtores e diretores, como Roberto Farias, Mariza Leão, Cacá Diegues, Diler Trindade e Luiz Carlos Barreto. Com todos esses ilustres e poderosos convidados, espera-se que suba a temperatura política no festival e que saiam algumas propostas para renovação do setor.
 
A noite de premiação é na segunda (3-10).
 
MOSTRA COMPETITIVA DE FILMES DE LONGA-METRAGEM
1. As hiper-mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, 80min, RJ/PE
2. Hoje, de Tata Amaral, 90min, SP
3. Meu país, de André Ristum, 90min, SP
4. O homem que não dormia, de Edgard Navarro, 95min, BA
5. Trabalhar cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, 99min, SP
6. Vou rifar meu coração, de Ana Rieper, 76min, RJ
 
MOSTRA COMPETITIVA DE FILMES DE CURTA-METRAGEM
1. A casa da vó Neyde, de Caio Cavechini, 20’, SP
2. A Fábrica, de Aly Muritiba, 15’, PR
3. De lá pra cá, de Frederico Pinto, 15’, RS
4. Elogio da Graça, de Joel Pizzini, 25’, RJ
5. Imperfeito, de Gui Campos, 14’, DF
6. L, de Thais Fujinaga, 21’, SP
7. Ovos de dinossauro na sala de estar, de Rafael Urban, 12’, PR
8. Premonição, de Pedro Abib, 15’, BA
9. Ser tão cinzento, de Henrique Dantas, 25’, BA
10. Sobre o menino do Rio, de Felipe Joffily, 13’, RJ
11. Três vezes por semana, de Cris Reque, 15’, RS
12. Um pouco de dois, de Danielle Araújo e Jackeline Salomão, 20’, DF
 
MOSTRA COMPETITIVA DE FILMES DE CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
1. 2004, de Edgard Paiva, 5’48”, MG
2. A mala, de Fabiannie Bergh, 1’45”, PA
3. Bomtempo, de Alexandre Dubiela, 1’30”, MG
4. Cafeka, de Natália Cristine, 2’29”, RS
5. Céu, inferno e outras partes do corpo, de Rodrigo John, 7’33”, RS
6. Ciclo, de Lucas Marques Sampaio, 3’40”, DF
7. Media training, de Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira, 11’39”, SP
8. Menina da chuva, de Rosaria, 6’, RJ
9. Moby Dick, de Alessandro Corrêa, 8’, SP
10. Quindins, de David Mussel e Giuliana Danza, 9’22”, MG
11. Rái sossaith, de Thomate, 10’, SP
12. Sambatown, de Cadu Macedo, 5’41”, SP

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