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George Clooney aborda a política, mas não quer ser candidato

Neusa Barbosa, de Veneza

George Clooney voltou à direção e a Veneza com um filme político, Tudo pelo poder – que dá a largada nesta noite de quarta à 68ª edição do festival. Um trabalho que, pela seriedade de seu tema, elenco recheado de astros (o próprio Clooney à frente, ao lado de Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e do astro ascendente Ryan Gosling) e óbvias semelhanças com os bastidores reais, inclusive partidários, das campanhas presidenciais de seu país de origem, vão dar muito o que falar nos próximos meses. No Brasil, o filme tem estréia prevista para 21 de outubro.
 
Clooney, que tem casa na Itália e é um convidado de honra habitual do festival, compete pelo Leão de Ouro. E desembarcou no Lido, o balneário veneziano, nesta manhã quente e ensolarada com toda pompa e circunstância de um astro de Hollywood do seu calibre. Uma importância que, ele garante, não esconde nenhuma vontade de participar da política diretamente, como candidato na vida real.
 
A uma pergunta neste sentido, na coletiva de imprensa, Clooney respondeu: “Há um cara no poder, muito melhor e mais qualificado do que eu, que está tendo uma enorme dificuldade para governar. Por isso, acho muito difícil alguém se animar a postular o seu posto”.
 
Público e notório apoiador do Partido Democrata e do presidente Barack Obama na última eleição presidencial, o ator e diretor também descartou que seu filme, que adapta uma peça de Beau Willimon (Farragut North) e retrata os meandros, inclusive sórdidos, da disputa à indicação presidencial de dois candidatos democratas, seja um tapa direto na cara do atual governo dos EUA.
 
Clooney preferiu ser mais genérico e até compreensivo em relação a Obama: “É um tempo muito difícil para governar, esteja-se do lado que se estiver”. Ele também relativizou a mensagem pessimista do filme em relação à política partidária, ainda que, na história, mesmo o mais idealista dos assessores, Stephen Meyers (Ryan Gosling) finalmente não se mostre imune ao pior do pragmatismo e do cinismo dos dois outros chefes de campanha dos candidatos (Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman). Disse Clooney: “Sou otimista, acredito que em algum momento isto vai mudar. Espero que mude”.
 
Embora sejam óbvios, no enredo, referências a escândalos sexuais de presidentes democratas de passado mais ou menos recente (John F. Kennedy e Bill Clinton os mais notórios) o ator e diretor frisou: “Meu trabalho não é aconselhar ninguém. Também não sou nenhum Dominique Strauss-Khan ou coisa parecida”.
 
Clooney também acha que a questão de moralidade que impregna “Tudo pelo poder” não é exclusiva da política. “Os mesmos desafios de moralidade, de vender sua alma, podem acontecer em quaisquer outros setores, Wall Street e outros”.
 
Indagado se também para fazer cinema deve fazer concessões e compromissos como os que realiza o candidato que interpreta no filme, Mike Morris, o diretor afirmou: “Claro que atores e diretores têm que fazer concessões e compromissos, por conta de orçamento e outros assuntos. Mas são de natureza muito diferente. Nenhum deles implica a vida ou a morte de qualquer pessoa.Estamos como que num parque de diversões, nosso negócio é atuar”.
 
Na mesma linha, Philip Seymour Hoffman, intérprete de Paul Zara, um dos assessores políticos, acrescentou: “É bom lembrar também que há uma grande diferença entre Hollywood e Washington”. A isto aderiu também Paul Giamatti, intérprete do outro assessor, Tom Duffy: “Hollywood parece um parque infantil comparado a Washington”.

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