Sokurov vence Leão de Ouro com “Faust”

Sokurov vence Leão de Ouro com “Faust”; concorrentes norte-americanos saem de mãos vazias

Neusa Barbosa, de Veneza
Para o veterano cineasta russo Aleksandr Sokurov, valeu a pena esperar. Seu épico Faust, adaptação da obra do autor alemão Johann Wolfgang Goethe e seu primeiro filme realizado em quatro anos, veio a Veneza para levar o Leão de Ouro – uma das apostas mais seguras nesta tarde entre os jornalistas, afinal confirmadas. Um diretor, afinal, a quem não faltam credenciais para um prêmio destes, digno de quem realizou Arca Russa, Moloch, Taurus, Pai e Filho e O Sol, alguns títulos de uma obra sólida e consagrada.
 
O cinema oriental, que nesta edição entusiasmou pouco os críticos, no final levou três prêmios importantes: direção, para Cai Shangjun, do filme-surpresa People Mountain People Sea (que saiu clandestinamente da China, sem ser submetido à censura, o que deverá dar problemas ao diretor na volta para casa); atriz, para a veterana Deanie Yip, em outro filme chinês (de Hong Kong), A Simple Life, de Ann Hui, a bola mais cantada da bolsa de apostas informal de hoje à tarde; e o Prêmio Marcello Mastroianni, destinado a jovens atores, aos dois protagonistas do concorrente japonês Himizu, de Sion Sono, Shota Sometani e Fumi Nikaido.
 
Os italianos, que este ano tinham três candidatos, afinal levaram um importante Prêmio Especial do Júri para o drama Terraferma, de Emanuele Crialese – que aborda um tema candente na Itália hoje, a intolerância em relação aos imigrantes clandestinos africanos, cuja entrada no país é combatida inclusive por legislação a quem lhes der socorro ou qualquer tipo de apoio humanitário. Romano de origem siciliana, Crialese, de 46 anos, pertence a uma nova geração italiana e já havia vencido como diretor revelação aqui há cinco anos, por Novo Mundo.
 
Um prêmio relativamente surpreendente coube ao grego Alpis, vencedor de melhor roteiro, este assinado pelo diretor Yorghos Lanthimos (Dente Canino) e Efthimkis Filippou. Um destes filmes estranhos, mas criativos, que ficam na memória tempos depois que a projeção terminou.
 
Britânicos e esnobados
O competente bloco britânico, no final, conquistou dois prêmios, um merecido troféu de melhor ator para Michael Fassbender no drama Shame, de Steve McQueen, e outro pela contribuição técnica da fotografia de O Morro dos Ventos Uivantes” de Andrea Arnold. Nos dois casos, foi pouco. Shame também venceu o prêmio de melhor filme para a FIPRESCI, Federação Internacional dos Críticos.
 
Pior ficaram o francês Carnage, de Roman Polanski, o favorito da tabela dos críticos divulgada hoje cedo pelo diário do festival, Venews, e que foi esnobado na premiação oficial. Nem mesmo seu magnífico quarteto de atores foi lembrado – Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly.
 
Na mesma situação ficaram os cinco concorrentes norte-americanos, que não levaram nada. George Clooney (Tudo pelo Poder), William Friedkin (Killer Joe), Abel Ferrara (4:44 Last Day on Earth), Todd Solondz (Dark Horse) e Ami Canaan Mann (Texas Killing Fields) vieram ao Lido à toa.
 
Nem o medalhão canadense David Cronenberg e seu poderoso A Dangerous Method, em torno da biografia dos pioneiros da psicanálise Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen), impressionaram o júri presidido pelo cineasta norte-americano Darren Aronofsky.
 
Concorrente na seção Horizontes, o docudrama brasileiro Girimunho, de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, venceu um prêmio colateral, o Interfilm Award, por promover o diálogo interreligioso.

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Comentários:
  • 12/09/2011 - 18h03 - Por ABEL Neusa parece que esse filme shame é muito bom só ouvi elogios de vários criticos e Michael fassbender é a boa da vez finalmente vai conseguir ser reconhecido como bom ator o outro filme a dangerous method parece ser também uma grande promessa cronenberg nunca erra muito dificil ele fazer algo mediocre,e reencontrando seu ator "FETICHE" VIGGO MORTENSE e fassbender vai ser um duelo de titãs, aguardo ansioso.
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