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“Quis respeitar a inteligência do público”, diz Selton Mello sobre novo filme

Alysson Oliveira

“Quis respeitar a inteligência do público”, diz Selton Mello sobre novo filme
A noite desta sexta-feira foi histórica no Paulínia Festival de Cinema, quando foi exibido o segundo filme dirigido por Selton Mello, O palhaço. O longa bateu o recorde de maior público que o evento já teve – tanto que foi necessário fazer uma segunda projeção após a exibição oficial, devido à grande demanda. Segundo dados da organização, 1800 pessoas assistiram à primeira sessão, enquanto cerca de outras mil acompanharam a segunda.
“Não podia ter sido uma recepção melhor do que essa”, disse o ator e diretor em entrevista ao UOL Cinema na tarde de sábado. “Mas precisamos tomar isso com cautela, afinal, o filme foi rodado no Polo Cinematográfico de Paulínia e conta com um carinho especial da população”.  A julgar pela sessão do filme no festival, O palhaço consegue facilmente se comunicar com o público.  
No longa, o próprio Selton é o personagem-título, um palhaço de circo mambembe que está meio deprimido e não acha graça em nada na vida – sua única obsessão é comprar um ventilador. Paulo José interpreta o dono do circo, pai do protagonista, e que também é palhaço. Os dois têm uma relação um tanto delicada. Um dos grandes acertos do filme está na química entre os dois atores.
Ator consagrado, Selton estreou na direção de longas com Feliz Natal, e foi premiado, no 1o. Paulínia Festival de Cinema, em 2008. Agora, visivelmente mais maduro, o diretor explica que teve uma "sensação de liberdade reconfortante". “Busquei inspiração em Jacques Tati, nas pinturas de Chagall e em Macunaíma. Foi em tanta coisa, mas sem amarras, sem obrigações”.
Para ele, o que importava mesmo era fazer um filme que não agredisse a inteligência dos expectadores. “Eu queria fazer um filme que se comunicasse com todos os tipos de público – desde aqueles que gostam de cinema mais popular até os que preferem filmes de arte. Pensei muito nisso porque o cinema brasileiro tem feitos filmes lindos, mas poucos vistos. Por isso eu queria fazer um filme profundo, mas simples. O cinema é arte de dizer muito com pouco”.
Para Selton, o personagem do pai não podia ser de outro ator que não Paulo José. “Para mim, ao lado de José Dummont, ele é o maior ator brasileiro de todos os tempos. Foi um interlocutor de alto nível, que me inspirou muito”. Já para o protagonista, Selton chegou a convidar dois outros atores que não puderam fazer o filme, então ele mesmo acabou assumindo o papel. “Durante as filmagens, minha preocupação era a direção. Para fazer o Benjamim [seu personagem], eu só colocava a roupa e entrava em cena.”
Selton, que também assina o roteiro (coescrito com Marcelo Vindicatto), conta que foi buscar inspiração nas memórias de sua infância para criar personagens e escolher atores. “Muito do protagonista vem do Didi Mocó [famoso personagem de Renato Aragão], e muito veio de outras lembranças”. Tanto que no elenco estão antigos ícones dos da televisão brasileira, como o humorista Jorge Loredo, o eterno Zé Bonitinho, o garoto-propaganda Ferrugem e o cantor e apresentador Moacyr Franco, cuja participação hilária em O palhaço foi aplaudida durante a projeção.
A outra homenagem é à cidade mineira de Passos, terra natal de Selton. Seu personagem sonha em ir para lá, encontrar uma moça que conheceu depois de uma apresentação do circo de seu pai. “Não sei se homenageei ou denegri a cidade”, brinca o ator, referindo-se ao destino de seu personagem quando chega lá. Mas apesar de todas essas referências, ele conta que o filme não tem nada de autobiográfico. “Se fosse minha biografia, eu mesmo sairia na metade”.

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