"Febre do rato", de Claudio Assis", é o grande vencedor de Paulínia

Cauã Raymond defende preparadores de elenco na formação de personagens

Alysson Oliveira

Rodrigo Santoro e Cauã Raymond são dois irmãos que se estranham no drama Meu País, dirigido por André Ristum, que estreou sábado no 4º Paulínia Festival de Cinema. O pai dos rapazes é interpretado por Paulo José, que morre numa das primeiras cenas do longa, e deixa de herança uma irmã que não conheciam, interpretada por Débora Falabella, que tem deficiência intelectual.
 
 No filme, Santoro e Raymond estão afastados há muitos anos e se reencontram com a morte do pai. O personagem de Santoro vive na Itália, é casado com uma italiana e trabalha na empresa do sogro.  “Construímos esses personagens em cima de suas afinidades e diferenças. Sou uma espécie de ovelha negra da família. É como se o personagem do Santoro fosse são-paulino, e eu, corintiano”, explicou Raymond, no começo da tarde de domingo durante a coletiva de imprensa. Santoro contou que o diretor, que morou na Itália, lhe serviu de modelo. “Falamos muito sobre ser brasileiro e voltar para o seu país com um olhar estrangeiro. Com as minhas idas e vindas para fora e dentro do Brasil, percebi que meu país é a minha família, é o que está dentro de mim e vai para qualquer lugar comigo”, disse Santoro.
 
 O ator afirmou que foi buscar em sua própria família elementos para compor seu personagem, Marcos. “Sou filho de italiano, mas nunca falei o idioma; fui me preparar para o filme e contei muito com a ajuda do André [Ristum]. Foi um desafio que me estimulou muito.”
 
 Para criar vínculos, os três atores conviveram por algum tempo e tiveram a ajuda da preparadora de elenco Laís Corrêa. “Ficamos juntos, mas não por muito tempo, para poder haver um estranhamento no set. Afinal, eles são irmãos que não conviveram”, explicou Débora. Raymond ressaltou que trabalha com uma preparadora desde o começo de sua carreira, e acha que é uma ajuda fundamental. “Sei de muitos atores que contam com a ajuda de preparadores e querem crédito apenas para si. Acho isso muito feio”.
 
 Raymond se considera hoje um ator mais maduro, graças a ajuda de sua preparadora, Andrea Cavalcantti. “Eu amadureci na frente das câmeras. E trabalhei com diretores com os mais diferentes métodos, como José Eduardo Belmonte [com quem fez Se nada mais der certo], que tem um método muito peculiar de preparar os atores e filmar, deixando-nos muito livres”.

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