"Febre do rato", de Claudio Assis", é o grande vencedor de Paulínia

Filme de Ristum aborda sensação de ser estrangeiro em seu próprio país

Alysson Oliveira

Estreante na direção de longas de ficção, André Ristum apresentou Meu País no sábado no 4º Paulínia Festival de Cinema. O filme traz Rodrigo Santoro, Cauã Raymond e Débora Falabella como três irmãos que se reencontram depois da morte do pai, interpretado por Paulo José. O irmão mais velho, Santoro, que mora na Itália, volta ao Brasil para o funeral do pai e descobre ter uma meia-irmã com deficiência intelectual.
 
 Em seu primeiro longa de ficção, Ristum – que tem em seu currículo curtas como De Glauber para Jirges e 14 Bis e o documentário Tempo de Resistência – disse que trouxe para o filme muito da sua experiência de ser um estrangeiro em seu próprio país. Ele nasceu em Londres e cresceu na Itália, até vir para o Brasil, na adolescência. “Eu sempre fui visto como o menino de fora. Na Itália me chamavam de brasileiro e no Brasil, de italiano. Mas eu sempre me senti brasileiro. Eu me lembro de chorar na Copa de 1982, morando na Itália, quando o Brasil foi eliminado pela própria Itália”, disse em entrevista ao Cineweb.
 
 O diretor confessa que não trouxe fatos específicos para o filme, mas a sensação de perda de raízes o acompanhou a vida toda. Agora, ele mora em São Paulo, onde trabalha no desenvolvimento de outros dois roteiros, que espera filmar em breve. “Um deles é um suspense, escrito por um tio-avô italiano. Mas é uma história que pode se passar em qualquer país”, adianta. O outro filme também lida com relações familiares e terá como personagem central uma mãe.
 
 Para fazer Meu País, Ristum e seus colaboradores trabalharam em mais de dez versões do roteiro até chegar no “menos é mais” que tanto interessava ao diretor. “Gosto muito dos silêncios que pontuam o filme, eles podem dizer mais do que os diálogos.” Ele explica que essa depuração também aconteceu nas filmagens e na montagem, assinada pelo experiente Paulo Sacramento, diretor do documentário Prisioneiros da grade de ferro. “Foi também um desafio para ele montar um filme tão diferentes daqueles de que está acostumado a trabalhar”.
 
 Ter Paulo José no elenco, para Ristum, foi emocionante. O ator era amigo do pai do diretor, Jirges Ristum, morto em 1984, e que foi assistente de cineastas como Michelangelo Antonioni, Glauber Rocha e Bernardo Bertolucci. “O Paulo era amigo do meu pai. Foi mágico trabalhar com ele. Não houve uma preparação específica. Conversamos muito sobre o personagem, sobre o filme. E a presença dele domina o filme inteiro, mesmo não estando em cena”.
 
 Ristum, que coescreveu o roteiro com o argentino Octávio Scopelliti e Marco Dutra, disse que desde o começo o filme teve esse título – embora em alguns momentos, outros foram cogitados. “Essa questão do que é o país de cada um está implícito no filme. Pode ser a sua pátria, a sua família. O personagem do Santoro volta para cá para descobrir o que é o país dele.”

Deixe seu comentrio:

Imagem de segurana