"Febre do rato", de Claudio Assis", é o grande vencedor de Paulínia

“Trabalhar cansa”, exibido em Cannes, é um filme arriscado, alertam seus diretores

Alysson Oliveira

“Trabalhar cansa”, exibido em Cannes, é um filme arriscado, alertam seus diretores

Premiados em Cannes com o curta O Ramo, em 2007, Marco Dutra e Juliana Rojas exibiram no 4º Paulínia Festival de Cinema seu primeiro longa, Trabalhar Cansa, que em maio passado competiu na mostra Un Certain Regard, do mesmo festival francês. Se na Europa eles tiveram uma recepção um tanto dividida, no Brasil o longa foi muito bem recebido pelo público, que aplaudiu várias vezes ao longo da projeção.

“Nosso trabalho é reflexo daquilo que conhecemos, a classe média, as relações familiares”, explicou Dutra na coletiva desta tarde. O filme é parte drama, parte alegoria fantástica, e transita entre gêneros e polos, criando um clima meio surreal, meio assombroso com um comentário social bastante pertinente. “Se escolhêssemos apenas um gênero, não conseguiríamos uma leitura mais ampla”, comentou Juliana. Eles disseram ter resolvido se arriscar: “O suspense, ao longo do filme, ganha a mesma força que o drama”.
 
A dupla se conheceu na USP e trabalha junta há uma década. O resultado, aliás, está numa série de curtas exibidos e premiados pelo mundo – como Lençol Branco e As sombras. “Quanto estamos rodando algum filme, não dividimos as funções, gostamos de fazer tudo, e, por isso, fazemos juntos”, conta Dutra. Sua colega vai além:  “Existe uma sintonia grande entre nós.”
 
Trabalhar cansa foi o primeiro filme produzido no Polo de Cinema de Paulínia exibido num festival internacional – o que rendeu elogios e um discurso do secretário de cultura da cidade, Emerson Alves. O ponto de partida para o roteiro foram as relações de trabalho transformando a dinâmica de uma família de classe média, composta por Helena (Helena Albergaria) e Otávio (Marat Descartes), que perde o emprego, na mesma época em que sua mulher abre um mercadinho de bairro. Coisas inexplicáveis acontecem, o que agrega elementos de fantasia, permitindo uma leitura metafórica.
 
Os extremos da alma humana
Descartes, que já trabalhou com Sergio Bianchi (Os inquilinos – Os incomodados que se mudem) e Toni Venturi (Estamos juntos) reencontra Juliana e Dutra alguns anos depois de ter feito o premiado curta Um Ramo. “Desde o começo eles me pareciam muito seguros, muito certos daquilo que querem como diretores. Especialmente quando a gente chega num set”, disse o ator ao Cineweb.
 
Mas nem por isso, explica, a dupla deixa de estar aberta a sugestões. “Durante os ensaios demos muitos palpites. Alguns deles estão até no filme, como um beijo que os protagonistas trocam no mercadinho antes da inauguração”. 
 
Conhecido pelo público pelo sucesso da peça Toc toc, Descartes admite que não há muita semelhança entre os dois trabalhos, e que estar em ambos  foi “a chance de ir a lugares extremos da alma humana”. Numa das cenas-chave de Trabalhar cansa, aliás, o personagem do ator solta um grito forte e que atinge significados amplos. “Não me preparei muito para a cena, mas repetimos várias vezes. Por isso, sempre fiz com cuidado para não machucar minhas cordas vocais”, brinca.
 
Trabalhar cansa está previsto para estrear em agosto.

Deixe seu comentrio:

Imagem de segurana