"Febre do rato", de Claudio Assis", é o grande vencedor de Paulínia

Lucia Murat: “O cinema me ajuda a sobreviver”

Alysson Oliveira

Lucia Murat: “O cinema me ajuda a sobreviver”
Conhecida diretora de documentários e de ficção, Lucia Murat apresentou no 4º Paulínia Festival de Cinema Uma longa viagem, filme que transita entre a encenação, documentação e lembranças de sua própria família. Ao centro estão Lucia e seu irmão Heitor – duas pessoas que nos anos de 1970 tomaram caminhos distantes e, ao mesmo tempo, tão próximos. No final da manhã de sábado, a diretora confessou durante uma coletiva de imprensa que o filme foi uma espécie de catarse, e que o cinema a ajuda a sobreviver.
 
Durante o período mostrado no filme, Lucia é uma presa política e Heitor viaja pela Europa e Ásia, se envolvendo nas mais diferentes experiências, inclusive com drogas. “Éramos dois representantes daquela época. Eu, na luta política e ele, no movimento do desbunde”, explicou a diretora. No filme, Heitor aparece dando depoimentos que a diretora gravou nos dias atuais e Caio Blat faz seu papel quando jovem, época em que morava fora do Brasil e mandava cartas para a família. “Fazer esse filme  foi um processo muito peculiar e longo. Terminamos apenas na semana passada. Foram várias idas e vindas da ilha de edição”.
 
Lucia, que tem em seu currículo filmes como Que bom te ver viva e Quase dois irmãos, explicou que as centenas de cartas enviadas por Heitor foram editadas e mostram bem o trajeto desse rapaz que “se deslumbrou com Londres e, depois, pirou na Índia.”  “O Caio soube como levá-lo para as telas, a interpretação dele é marcante. E eles acabaram se tornando amigos”.
 
Atualmente, Heitor faz tratamento para esquizofrenia e não quer ver o filme pronto. “Ele passa no nosso escritório e pede para ver um trecho, depois vê mais outro. Mas acho que um dia ele vai acabar vendo o filme completo”.  No documentário, a diretora mostra o dilema que ela e outro irmão, Miguel, que já morreu, enfrentaram ao decidir internar Heitor anos atrás. “A sociedade marginaliza muito os esquizofrênicos. Hoje os tratamento são melhores, não se trancam as pessoas, mas eles não são vistos com bons olhos”.
 
Uma longa viagem é um documentário delicado e muito corajoso, no qual Lucia expõe feridas abertas não apenas de sua história, mas também do Brasil. Atualmente, a diretora procura uma distribuidora para lançar o filme em cinema. Ela já adquiriu os direitos autorais das músicas utilizadas, que são de artistas como Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Band, além de cenas de filmes como o australiano Sansão e Dalila, Tabu, de W. F. Murnau e A chinesa, de Jean-Luc Godard. “Foi muito mais fácil e barato conseguir direitos de músicas estrangeiras, do que das nacionais. Tivemos de tirar uma dos Mutantes, porque teríamos de pagar um valor muito alto para a canção aparecer tão pouco no filme”.

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