"A Árvore da Vida" vence a Palma de Ouro 2011

Em Cannes, Un Certain Regard divide prêmio principal

Neusa Barbosa
Enquanto não é divulgado o vencedor da Palma de Ouro – o que acontece daqui a pouco -, outras premiações já foram anunciadas.

Na seção Un Certain Regard, em que o Brasil tinha um concorrente – Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra -, o prêmio de melhor filme acabou dividido, ex-aequo, entre dois títulos: Arirang, a dolorida e excessiva volta à tona do sul-coreano Kim Ki-duk, e Halt auf Freier Strecke (algo como “parada em pleno vôo”), de Andreas Dresen, que acompanha os últimos dias de um homem condenado por uma doença mortal.
 
Num ano em que as restrições aos cineastas iranianos pela ditadura fundamentalista de seu país esteve novamente em pauta no festival, caiu muito bem o prêmio de melhor diretor desta seção para um deles, Mohammad Rasoulouf, por seu Be Omid E Didas (“Adeus”). Por conta das dificuldades para deixar o país, o cineasta mesmo não veio, sendo o prêmio entregue à sua mulher.
 
O terceiro prêmio, o Especial do Júri, ficou para a produção russa Elena, de Andrei Zvyagintsev – o jovem diretor que, logo na estreia, O Retorno, levou para casa o Leão de Ouro de Veneza, em 2003. Novamente, em Elena o cineasta mostra personalidade, contando com intensidade a história de uma ex-enfermeira de meia-idade (a extraordinária Nadezhda Markina), casada há poucos anos com um homem rico e um tanto cruel (Andrey Smirnov) e uma polêmica decisão que ela toma quando ele se recusa a ajudar o filho dela de um casamento anterior. Há diversos subtextos no filme – como a diferença social entre as famílias e a rivalidade de Elena com a única filha do marido (Yelena Lyadova), cuja riqueza vem claramente do antigo aparelho de poder soviético. Tomara que o filme seja distribuído no Brasil.
 
FIPRESCI
 
A Federação Internacional dos Críticos – que este ano teve um júri presidido pelo crítico e curador brasileiro José Carlos Avellar – premiou igualmente três melhores filmes, cada qual numa seção do Festival.
 
Na seção principal, o premiado foi Le Havre, a produção francesa dirigida pelo finlandês Aki Kaurismaki, que faz um agudo comentário sobre a caça aos imigrantes ilegais que hoje é assunto tenebroso em toda a Europa.
 
Dentro do Un Certain Regard, o preferido dos críticos foi L’Exercice de l’État, de Pierre Schoeller. Das seções paralelas, o júri da FIPRESCI escolheu Take Shelter, de Jeff Nichols, dentro da Semana da Crítica. Foi, aliás, opinião defendida pelos críticos do jornal francês Libération que, este ano, a seleção de filmes da Semana da Crítica foi bem superior à da Quinzena dos Realizadores.

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