"O Céu sobre os Ombros" vence Festival de Brasília

"O Céu sobre os Ombros" vence 5 troféus em Brasília

Neusa Barbosa
Ao final do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, nesta terça, o filme mineiro “O Céu sobre os Ombros”, do estreante em longas Sergio Borges, levou cinco troféus – inclusive os mais cobiçados, filme e direção. Mas também ficou com montagem, roteiro e um inusitado Especial do Júri para seus personagens-atores.
 
“O Céu sobre os Ombros” mistura documentário e ficção e parte da história e da personalidade de três pessoas- o transexual Everlyn, o operador de telemarketing e hare krisha Murari e o escritor congolês Lwei, criando situações ficcionais em que eles atuam em contexto semelhante ou não com as próprias vidas. O próprio diretor preferiu não esclarecer totalmente as verdades e mentiras retratadas, mantendo a dualidade dos gêneros.
 
O filme traduziu a discussão sobre o possível fim da fronteira entre ficção e documentário que foi uma das grandes vertentes do festival este ano, caracterizando-se por concorrentes com preocupação de inovação em termos de linguagem cinematográfica, muitos realizados por diretores novatos.
 
Em seus agradecimentos, o diretor Sergio Borges, declarou: “Espero que o festival siga por esse caminho. O festival sempre foi forte quando foi arriscado. Há dezenas de outros cineastas para juntar-se a estes (referindo-se aos que participaram da competição este ano)”.
 
O segundo filme mais premiado foi o outro concorrente mineiro, a ficção “Os Residentes”, de Tiago Mata Machado, que ficou com os troféus de melhor fotografia (para o veterano Aloysio Raulino), trilha sonora, atriz (Melissa Dullius) e atriz coadjuvante (Simone Sales de Alcântara).
 
“Transeunte” (RJ), primeira ficção do diretor Eryk Rocha (“Pachamama”) venceu os prêmios de melhor som, melhor filme para a crítica e também o de melhor ator – este, para o veterano Fernando Bezerra (de “Linha de Passe” e “Sargento Getúlio”), que fez questão de lembrar, em seu agradecimento: “Este prêmio não é meu, sou apenas o embaixador orgulhoso e vaidoso de todos os que realizaram o filme comigo”.
 
Outro concorrente carioca, “Alegria”, de Felipe Bragança e Marina Meliande, ganhou nas categorias direção de arte e ator coadjuvante (Rikle Miranda). O terceiro carioca, o documentário Amor?”, de João Jardim, venceu um único prêmio, o de melhor filme para o júri popular.
 
Apenas o concorrente pernambucano “Vigias”, documentário do estreante em longas Marcelo Lordello, não recebeu nenhum prêmio. 
 
A premiação, de todo modo, foi generosa para com os filmes em que se identificaram as maiores ousadias, em termos de forma e conteúdo, deixando de lado a questão do que é ou não mais popular ou voltado para um grande mercado. Este ano, a seleção do Festival de Brasília, decididamente, optou por procurar novos cineastas, tendências e caminhos. O futuro dirá se a ousadia da aposta compensou.

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Comentários:
  • 02/12/2010 - 11h50 - Por Marcos Almeida E aí, Neusa, foi você que estragou a entrega de prêmios do Festival, né? Não vai fazer nenhum mea culpa?
  • 02/12/2010 - 13h45 - Por Neusa Barbosa Não, Marcos, não fui eu quem estragou a festa.
    Como você pode ler on line, a Folha assumiu o erro.
    Eu sou apenas colaboradora do UOL e estava lá, no Cine Brasília, esperando a premiação, como todo mundo.
    Sem nenhuma informação prévia.
    Antes de apontar culpados, é sempre bom apurar os fatos. Regra do bom jornalismo, que eu pratico.
    abraço
    Neusa
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