As muitas caras da juventude


Aprendendo com os filhos de cena

Alysson Oliveira
Aprendendo com os filhos de cena

Denise Fraga já fez o Brasil chorar – de tanto rir. Mais conhecida como uma das melhores comediantes do país, ela tem em seu currículo a personagem Olímpia na peça Trair e coçar é só começar, participações no humorístico TV Pirata, novelas (Éramos seis, Barriga de Aluguel) e o quadro Retrato Falado, no Fantástico. No entanto, nos últimos anos ela tem feito o público derramar outro tipo de lágrimas. Foi assim com a ex-guerrilheira torturada da minissérie Queridos Amigos (2008) e agora com seu novo personagem no cinema, no filme As melhores coisas do mundo, no qual interpreta Camila, a mãe do protagonista. “As pessoas podem estranhar ao me ver num papel dramático, mas acho que, a essa altura da minha carreira, não preciso provar nada. Eu quero mais são desafios e diversidade”, disse ao Cineweb.

Em As melhores coisas do mundo, Denise interpreta a mãe de dois jovens e confessa que foi “como olhar pelo buraco da fechadura” para dentro desse universo. “Os adolescentes são monossilábicos. Eu me lembro da minha adolescência. Você se cala e os seus dramas, problemas, conflitos parecem algo que só você está vivendo. Nesse sentido, o filme é bastante revelador”.
 
Reveladora, para atriz de 44 anos, também foi a experiência de ser dirigida no cinema por uma mulher, Laís Bodanzky, inédito em sua carreira. “Foi curioso, porque ela é bastante detalhista, presta atenção, ouve muito a gente. O detalhe é o subtexto, não é apenas a cena crua”. Sempre sorridente e fazendo piadas, a atriz conta que, com a ajuda da diretora, buscou outra chave para o papel. “Dessa vez, eu tentei fazer tudo mais seco, mais sério. Foi difícil, porque eu vivo fazendo caras e bocas, um monte de caretas, mesmo no dia-a-dia”, confessa.
 
Além disso, os principais colegas de cena de Denise eram dois atores estreantes, que interpretam seus filhos: Francisco Miguez e Fiuk, que na época das filmagens ainda não participava da novela Malhação. “Eu tentei aproveitar tudo o que esses meninos tinham para me dar, esse frescor.” Ela conta que conversava com eles do mesmo modo como fala com seus filhos, que estão entrando na adolescência. “Eu tinha muita curiosidade sobre eles, sobre essa fase da vida, mas não podia fazer dos dois o meu laboratório. Não queria ser a chata e ficar entrevistando-os”, comenta, rindo.
 
Denise, que há quase dois anos está em cartaz com a peça A alma boa de Setsuan – que lhe rendeu vários prêmios, entre eles o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) –, além de atuar no cinema e teatro e cuidar de dois filhos, encontra tempo para escrever e planejar um humorístico, que deve ir ao ar na rede Globo no segundo semestre. Em maio, ela lança um livro, Travessuras de mãe, uma coletânea de crônicas que ela publica na revista “Crescer” e abordam as dores e delícias da maternidade. “A gente erra muito, mas acerta também. É como pisar em ovos ou andar sobre areia movediça, nunca se sabe quando vai dizer algo certo, na hora certa. Quando isso acontece, é uma conquista”.
 
Interpretar uma mãe em As melhores coisas do mundo permitiu a Denise preparar-se para essa fase que está começando na vida de seus filhos com o cineasta Luis Villaça. “A gente tem a ilusão de que vai ser amigo, mas tem horas que os filhos querem que a gente seja apenas mãe. É sempre uma aprendizagem”, observa. Para se sair bem nesse aspecto, a atriz acredita que a gentileza é a melhor opção. “A delicadeza tem um poder maior do que a aspereza.”

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