As muitas caras da juventude


Retrato sem infantilização

Alysson Oliveira
Retrato sem infantilização

Como todo bom adolescente, Francisco Miguez e Gabriela Rocha ainda não sabem qual profissão irão seguir. O fato de terem atuado no filme As melhores coisas do mundo pode ser um estímulo para a escolha – mas nada é garantido. “Eu não sei se esse é o lugar onde eu quero estar”, disse o Francisco ao Cineweb. “Descobri que existe tanta coisa a se fazer num filme. Posso até trabalhar com cinema, mas não necessariamente na frente das câmeras”. Então, estamos diante de um futuro diretor? Ele ri, e desconversa: “É muito cedo”.

No filme, Francisco é Mano, um adolescente cuja vida passa por diversas mudanças a partir do divórcio dos pais. O dia-a-dia se divide entre escola, namoros, amigos e a família. Ou seja, algo bem próximo do universo dos jovens brasileiros. “Todos os personagens do filme existem. A Carol, por exemplo, é uma mistura de mim e das meninas que conheço”, conta Gabriela, que no filme interpreta a melhor amiga de Mano.
 
Para realizar As melhores coisas do mundo, a diretor Laís Bodanzky e o roteirista Luiz Bolognesi organizaram alguns grupos de discussão em escolas da cidade de São Paulo, a fim de conhecer melhor esse ambiente. Francisco, de 15 anos, fazia parte de um deles. “Às vezes, eles chegavam com uma ideia que fugia completamente da realidade e a gente dava sugestões de mudança, para ficar mais real”, explica o ator. Por isso, para ele e Gabriela, de 16 anos, o filme fala tão bem do jovem de classe média – mas não apenas para esse público. “Um filme sobre adolescentes não precisa atrair apenas adolescentes. Mesmo quem é adulto já foi adolescente”, pondera a atriz.
 
Durante a pré-produção, enquanto dava muitas sugestões à diretora e ao roteirista, Francisco revela que insistiu muito em uma coisa: “O adolescente não gosta de se ver infantilizado, banalizado ou estereotipado no cinema”. Laís e Bolognesi parecem ter levado dica a sério e mergulharam a fundo no espírito juvenil.
 
Dando entrevista, Francisco e Gabriela são bastante diferentes, quase opostos. Ela é mais expansiva, enquanto ele é mais compenetrado. Por isso, não é nenhuma surpresa que os filmes preferidos dela sejam uma comédia (Paizão) e um romance (E se fosse verdade), e os dele, filmes mais sérios. “Gosto muito de Paranoid Park. Outro dia vi pela primeira vez Blow-up – Depois daquele beijo. Fiquei muito impressionado”, conta Francisco.
 
Após participar de um dos grupos na pré-produção, Francisco topou fazer um teste para atuar no longa. Depois de escolhido, ele e os demais atores contaram com a ajuda do preparador de elenco Sérgio Penna – que já havia colaborado em outros filmes da diretora, como Chega de Saudade, além de Lula – O filho do Brasil, de Fábio Barreto. “Ele nos ajudou muito antes de começarmos a filmar. Depois, a gente trabalhou mais com a Laís. Eu costumava assistir às cenas depois de rodadas, mas isso começou a me deixar meio nervoso e desisti. Passei a confiar apenas na diretora”, explica Francisco
 
Em cena, Francisco canta e toca violão, duas coisas que ele já sabia fazer. No longa, ele canta uma versão da música Something, dos Beatles, uma de suas bandas preferidas.
 
Boa parte do elenco de As melhores coisas do mundo é formada por jovens estreantes interpretando adolescentes de sua faixa etária. Ao lado deles também estão atores experientes, como Denise Fraga (O Contador de histórias) e Zé Carlos Machado (A casa de Alice) – como os pais de Mano –  e Caio Blat (Histórias de Amor duram 90 minutos), que faz o papel de um professor de física e interage com todos os adolescentes do elenco. “Quando ele chegou, nós já éramos um grupo forte, nos conhecíamos bem, tínhamos intimidade. O estranho ali era ele”, lembra Gabriela. “Acho que ele ficou mais intimidado com a gente do que nós com ele”.
 
Outro integrante do elenco é o cantor e ator Fiuk, que, na época em que o longa foi rodado, há aproximadamente um ano, não era tão famoso como agora, que participa da novela Malhação. “Ele era um de nós, igualzinho à gente. Uma relação de igual para igual”, lembra Gabriela.
 
Um dos assuntos de As melhores coisas do mundo é a relação entre jovens e a tecnologia e a rapidez com que as informações circulam. “As coisas se espalham na minha escola”, conta Gabriela, observando que celular, computador e internet são as ferramentas básicas para difusão de informação entre elas e seus amigos. Isso acontece para o bem ou para o mal, como lembra Francisco, apontando que o “bullying” (a prática de zombaria e abuso físico e emocional) é muito comum nas escolas. “A tecnologia facilita esse tipo de coisa”, diz ele. O filme mostra diversas situações que comprovam a tese do ator, como uma foto de uma garota seminua circulando de celular em celular.
 
Gabriela acredita que tocar nesse assunto é importante – especialmente para mostrar como a vida de um jovem pode ser dura, sem que os pais se dêem conta disso. “Esse tipo de abuso pode afetar a vida de uma pessoa para sempre, por isso é importante que seja discutido”.
 
Por tratar de assuntos como esse, presentes na realidade de muitos jovens brasileiros, a dupla de atores acredita que As melhores coisas do mundo deverá vencer uma barreira. “Existe muito preconceito contra o cinema brasileiro. Mas esse filme tem tudo para conquistar o público. Pode ter um boca-a-boca bem positivo, especialmente nas escolas, e levar jovens e adultos para o cinema”, torce Gabriela.

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Comentários:
  • 27/05/2011 - 16h42 - Por aline adorei o filme e inclusive assistimos ele na escola e todos gostaram muito.
    mas eu gostaria de saber que musica Francisco Miguez,o "mano" canta no filme para a valéria. cantor e o nome dela
    obrigadu pela atençao
    atenciosamente aline
  • 18/07/2011 - 17h09 - Por Thales Fischer a musica é somethings dos beatles =D adorei mto o filme.
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