"Parasita" faz história e vence como melhor filme e filme internacional


Sul-coreano "Parasita" faz história e vence como melhor filme e filme internacional

Neusa Barbosa
O que parecia improvável – embora justo – aconteceu: o drama sul-coreano Parasita fez história no Oscar, ganhando melhor filme, filme internacional, direção e roteiro original, num feito inédito para uma produção estrangeira. E exatamente num ano em que se reclamou, com justiça, de falta de diversidade e representatividade nas indicações, pensando-se em gênero e etnicidade.
 
Foi a melhor coisa da noite testemunhar não só a emoção da equipe sul-coreana no palco, como a aclamação da plateia de artistas, que ficaram de pé. Antes disso, em seu agradecimento pelo prêmio de direção, Bong Joon Ho (foto acima) também arrasou em generosidade, lembrando uma frase de Martin Scorsese que norteou sua carreira (“se for mais fundo no seu coração, irá mais longe”), sem esquecer de homenagear os outros concorrentes na categoria, Quentin Tarantino, Sam Mendes e Todd Phillips.
 
Foi um fecho de ouro para a 92ª edição do Oscar, que não fugiu das previsões no tocante aos atores, seguindo bolsas de apostas e premiações anteriores: melhor ator para Joaquin Phoenix por Coringa (mais uma vez, sendo o dono do melhor e mais potente discurso da premiação, com direito a autocrítica por nem sempre ter sido uma pessoa fácil, além de criticar o afastamento da humanidade do mundo natural); melhor atriz para Renée Zelweger por Judy - muito além do arco-íris, que marca a volta da atriz ao topo de Hollywood; melhor atriz coadjuvante para Laura Dern (História de um casamento) e Brad Pitt (Era uma vez... em Hollywood).
 
No final, os campeões de indicações tiveram desempenho modesto na premiação. O que era considerado o maior favorito, o drama de guerra 1917, de Sam Mendes, tece de contentar-se com três estatuetas em categorias técnicas, mixagem de som, fotografia e efeitos visuais, o que ficou de bom tamanho.  A Era uma vez... em Hollywood, coube, além da premiação de Brad Pitt, também o troféu de direção de arte. Igualmente com dois ficou Coringa, lembrado com melhor ator e melhor trilha sonora (Hildur Gunadóttir). Igualmente com dois Oscar, montagem e edição de som, ficou Ford vs Ferrari. Pior ainda foi o caso de O Irlandês, de Martin Scorsese, que não conquistou nenhuma de suas 10 indicações. 
 
Com um solitário Oscar cada um restaram Adoráveis Mulheres (figurino), O Escândalo (maquiagem e penteados), Jojo Rabbit (roteiro adaptado) e Rocketman (canção original).
 
O Brasil, que pela primeira vez concorria com o documentário Democracia em Vertigem, não levou. O prêmio da categoria foi dado para o americano American Factory, de Steven Bognar e Julia Reichert, que era dado como franco favorito.
 
A melhor animação foi outro favorito, Toy Story 4, curta de animação, Hair Love, curta documental, Learning Skateboard on a Warzone, e curta live action, The Neighbor’s Wood.
 
E Tom Hanks anunciou que, no dia 14 de dezembro deste ano, será inaugurado o esperado Museu da Academia.

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança