Guia Cinéfilo Olímpico relaciona filmes inspirados em esportes - Parte I


Guia Cinéfilo Olímpico relaciona filmes inspirados em esportes - Parte II

Nayara Reynaud
Levantamento de Peso
 
 
O levantamento de peso como malhação pipoca em várias cenas aqui e ali, seja nos exercícios com pneus no lugar de pesos em Sniper Americano (2014) e até em uma morte grotesca daquela franquia de terror; mais exatamente de Premonição 3 (2006). Como instrumento de trabalho do fisiculturismo, o documentário O Homem dos Músculos de Aço (1977), que acompanha o treino de Arnold Schwarzenegger, na época, campeão do principal torneio da prática, é o exemplar mais significativo. Aliás, Hollywood teve dois atores halterofilistas conhecidos: Tor Johnson levava o nome de “levantador de peso” em alguns filmes e o japonês fortão Harold Sakata chegou a ganhar a prata em Londres 1948 antes de estar em 007.
O esporte em si somente é retratado em forma documental, a exemplo da produção American Weightlifting (2013), que revela os esforços dos atletas e técnicos da equipe olímpica de uma modalidade sem tanto destaque nos Estados Unidos, e do raio-x da vitoriosa Cheryl Haworth, em Strong! (2012). A dica brasileira é do curta doc Bete do Peso (2014, foto ao lado), alcunha da primeira levantadora de peso brasileira, Maria Elisabete Jorge, que é retratada aqui.
 
Luta Olímpica
Um dos mais antigos esportes do mundo, a luta esteve presente nos primórdios do cinema, em Na Corda Bamba (1931) e Carne (1932). Porém, a luta livre profissional chamou mais atenção: tendo O Lutador (2008) de Darren Aronofsky como a obra mais destacada sobre a modalidade, ela inspirou ainda A Taberna do Inferno (1978) com Stallone, o time feminino de Garotas Duras na Queda (1981) e o doc Nine Legends (2016). Dentro do gênero, The Backyard (2002) mostra a agressiva variação amadora de nome igual, enquanto a biografia Rikidozan: A Hero Extraordinaire (2004) traz o precursor do estilo japonês puroresu.
A luta olímpica ganhou mais visibilidade nas telas nos últimos anos, mostrando especialmente sua presença no ambiente escolar, a exemplo do time de greco-romana de Paul Giamatti em Ganhar ou Ganhar – A Vida é um Jogo (2011) e seu menino prodígio. Mas a luta colegial já aparece no treinador improvisado de Take Down (1979) e na batalha quase solitária do aluno de Em Busca da Vitória (1985), chegando em Reversal (2001), Beyond the Mat (2013) e Legendary (2010), com John Cena ensinado o irmão a lutar. Os telefilmes do Disney Channel, Spooner (1989) e Uma História de Luta (2004), também passam por este caminho, com o falsificador transformado em técnico do primeiro e o lutador cego do segundo. Amaldiçoados (2005) e Operação Babá (2005) também mostram cenas de suas equipes escolares, enquanto Ashton Kutcher é um ex-lutador universitário em Por Amor (2009).
A luta greco-romana tem espaço nas cinebiografias do estoniano Lurich (1984) e em Hamill/The Hammer (2010), sobre o atleta surdo que hoje está no UFC. O estilo livre, por sua vez, ganha a trágica trama do elogiado Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo (2014, foto ao lado), sobre o caso real do campeão olímpico Mark Schultz e seu irmão, David, também renomado no esporte, e o malfadado apoio que receberam do milionário John du Pont.
 
Maratona Aquática
O sonho de cruzar o Canal da Mancha a nado, realizado pela primeira vez em 1875, originou o que, desde Pequim 2008, viria a ser uma modalidade olímpica: a maratona aquática. O desejo de realizar a façanha é algo tão cinematográfico que inspirou alguns filmes. O primeiro deles é Salve a Campeã (1953), em que Esther Williams, a rainha das águas, é uma jovem que quer ser a primeira mulher a atravessar o canal. Em Um Dia Claro (2005) traz um escocês de meia idade que perde o emprego e assume a travessia como um novo objetivo de vida. Já no drama Bem-Vindo (2009), um jovem curdo faz aulas de natação na França para atravessar o Canal e reencontrar sua namorada na Inglaterra.
Contudo, o esporte já havia ido para as telas antes, em Até Debaixo d’Água (1932), comédia em que um vendedor de traje subaquático é confundido com um maratonista aquático, sendo convidado para disputar uma corrida. Mas ele é instigante para os roteiros até hoje, a exemplo da produção franco-argentina Água (2006), em que um campeão de nado aberto, acusado injustamente de doping na maratona de Santa Fé, volta oito anos depois para buscar seu título.
 
Nado Sincronizado
O nado sincronizado faz parte da história do cinema por causa de Esther Williams, chamada de “Sereia de Hollywood” justamente por sua habilidade no esporte ser explorada em lindas coreografias, como as de Escola de Sereias (1944), A Filha de Netuno (1949) e A Rainha do Mar (1952). O seu balé aquático serve de referência direta para a personagem de Scarlett Johansson no novo filme dos irmãos Coen, Ave, César (2016), como também é relembrado de maneira cômica na abertura de Austin Powers: O Agente 'Bond' Cama (1999) ou na cena dos porcos fazendo coreografias no lago em Nanny McPhee e as Lições Mágicas (2010).
Além disso, Williams é citada na dramédia sueca Saída a Nado (2008, foto ao lado) – Prêmio da Juventude na Mostra de 2009 –, em que um homem de meia-idade, desempregado e atleta amador, decide montar, com seus amigos de time, a primeira equipe masculina de nado sincronizado do país. A mesma inversão de gênero, que começa a ser oficializada pela federação internacional, já foi vista antes na comédia juvenil japonesa Waterboys (2001), em que alunos ingressam no esporte para impressionar a nova professora de natação. Mas a modalidade também alimenta o drama francês Lírios d'água (2007), que intercala os treinos de três adolescentes e os desejos que afloram entre elas neste momento de descoberta sexual. Além disso, há o documentário Sync or Swim (2008) seguindo a jornada do time olímpico norte-americano para Atenas 2004.
 
Natação
Como já deu pra ver, Esther Williams está na origem dos “filmes aquáticos”. A atriz que quase foi para as Olimpíadas, se elas não tivessem sido canceladas em 1940 por causa da II Guerra Mundial, não só dançou nas águas como também mostrou a natação como esporte. Em Escola de Sereias ela é uma professora da modalidade e em A Rainha do Mar, dá vida à nadadora australiana Annette Kellerman. Outros compatriotas também foram retratados nas telas: como a cinebiografia Dawn! (1979) sobre a tricampeã olímpica Dawn Fraser e Campeão (2003), que mostra os treinos em família de Tony Fingleton, que desistiu de nadar pela Austrália nas Olimpíadas para estudar em Harvard.
Mas há espaço igualmente para a história do recordista canadense Victor Davies no telefilme Victor (2008) ou a recente trajetória vencedora da norte-americana Missy Franklin no documentário Touch The Wall (2014). Mais um longa inspirado em fatos reais é Pride - O Orgulho de uma Nação (2007), que traz Terence Howard como um professor combatendo o racismo para criar uma equipe de natação com os jovens de um centro de recreação. Por aqui, o doc Paratodos segue o multicampeão Daniel Dias e a paranadadora Suzana Schrnardof.
Mas a ficção também se inspira no esporte, como no drama indiano Meu Irmão... Nikhil (2005) em que um nadador tem apenas o apoio de sua irmã ao descobrir-se portador de HIV; na comédia Star Spangled Girl (1971), no qual uma jovem chega na vizinhança, não só para treinar, mas bagunçar a vida de dois revoltados antissistema; ou o thriller Fixação (2002) que traz o astro do time do colégio sendo perseguido pela nova aluna; ou o campeão escolar indo para o resgate da Guarda Costeira em Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar (2006). O ensino médio também é cenário para romances gays no francês Devido a um Rapaz (2002) e no tailandês Water Boy (2015). As aulas de natação servem como terapia para os adultos de Aprendendo a Nadar (2006) e para o jovem suicida de Gente Como a Gente (1980).
 
Pentatlo Moderno
O mais militar dos esportes olímpicos, cuja origem está nos guerreiros espartanos da Grécia Antiga, o pentatlo moderno, que reúne provas de hipismo, tiro, esgrima, natação e corrida (cross-country), tem sua única representação clara no cinema justamente em um típico filme de ação: Pentathlon – Uma Disputa Mortal (1994, na foto ao lado). Astro do gênero, Dolph Lundgren vive um pentatleta que ganha a medalha de ouro pela Alemanha Oriental em Seul 88 e foge dos abusos de seu técnico indo para os EUA. Mas este, transformado em um neonazista, o persegue até lá. Há também o curta doc 5x Yane (2014) revelando a rotina de Yane Marques até Londres 2012, onde se tornou a primeira brasileira a ganhar medalha no esporte com o seu bronze.
A modalidade, porém, serve de inspiração para a comédia The Do-Deca-Pentathlon (2012), em que dois irmãos, com seus 30 anos, resolvem terminar a competição que abandonaram na época do ensino médio: uma espécie de “pentatlo quintuplicado”, o evento do título reúne 25 provas bem diferentes, do tênis de mesa/ping pong ao bilhar, da corrida à queda de braço ou da natação ao air hockey, foi criado pela dupla para provar quem é o melhor entre eles.
 
Polo Aquático
Foi justamente um ex-jogador o primeiro a dar destaque ao esporte na tela do cinema. O ator e cineasta italiano Nanni Moretti, que chegou a jogar na série B do campeonato nacional da modalidade, usa sua experiência na pele do protagonista também jogador de polo aquático, líder do Partido Comunista e com perda de memória, que tenta encontrar sua própria identidade em uma partida cheia de metáforas em seu Palombella Rossa (1989).
A realidade também inspirou outras duas produções, lançadas em 2006, quando completaram-se 50 anos do jogo mais sangrento da história olímpica: a semifinal do polo em Melbourne 1956 entre a Hungria e a União Soviética, em que a piscina virou palco de uma batalha semelhante à dos húngaros que reivindicavam nas ruas a libertação de seu país do jugo soviético. De um lado está o documentário norte-americano Fúria da Liberdade/Freedom’s Fury, bem centrado na partida e produzido por Quentin Tarantino e Lucy Liu; do outro, está a versão ficcional húngara Sangue nas Águas, que se detém mais na revolução do que na modalidade. O desporto aquático também serve de fundo para o romance dramático espanhol Às Escondidas (2014), em que um jovem marroquino desperta o desejo de seu colega de treinos, e é apresentado no ambiente escolar conturbado do alemão A Onda (2008).
 
Remo
A forte presença do remo dentro do ambiente universitário, seja nos EUA ou na Inglaterra, representa a maior parte da participação do esporte no cinema, especialmente na primeira metade do século XX, quando gozava de grande prestígio social. Desta época, vêm Amor de Calouro (1936), com um treinador e uma jovem enganando os alunos para trazê-los para o time da universidade, Let’s Go Collegiate (1941), em que um caminhoneiro se passa pelo astro da equipe estudantil, e Um Ianque em Oxford (1938), no qual um remador norte-americano ganha uma bolsa para a famosa instituição inglesa, cenário de outras regatas cinematográficas.
Em Uma Aventura em Oxford (1984), Rob Lowe entra no time para impressionar uma garota, enquanto True Blue (1996, foto ao lado), inspirado em fatos reais, mostrava a disputa anual entre Oxford e Cambridge. Até A Teoria de Tudo (2014) revela que Stephen Hawking foi timoneiro da equipe universitária de lá. O remo também aparece rapidamente com os gêmeos Winklevoss competindo nas raias de Harvard em A Rede Social (2010), assim como na escola de Sociedade dos Poetas Mortos (1989). Os adolescentes alemães de Tempestade de Verão (2004) passam as férias num acampamento, entre regatas e a descoberta de sua sexualidade.
O esporte também é o tema de O Rapaz de Azul/Fúria de Vencer (1986), cinebiografia com Nicolas Cage, tal qual o telefilme Em Busca do Ouro (2012) e dupla dourada de 48. Há ainda a atleta que não vai para as Olimpíadas e vira técnica no romance Começar de Novo (2012).
 
Rúgbi
O rúgbi vai voltar às Olimpíadas nesta edição do Rio, após quase um século longe dos Jogos, na versão Rúgbi de 7, com este número menor de jogadores em relação à Rugby Union e League, as vertentes mais populares do jogo pelo mundo e também no cinema, no qual Invictus (2009, foto ao lado) se tornou o principal filme sobre o esporte. O longa de Clint Eastwood destaca a junção do recém-empossado presidente sul-africano Nelson Mandela com o capitão da seleção de rúgbi para, através desta paixão nacional, unir o país divido racialmente pelo regime do apartheid. Apesar de Hollywood, obviamente, amar o futebol americano, sua modalidade de origem é tema dos longas Para Sempre Vencedor (2008), no qual um jovem vai preso e começa a jogar no time rival da equipe em que seu pai é treinador, e Play On (2010), em que um menino deseja seguir os passos paternos – enquanto no francês O Filho de Jo (2010), o filho não quer o mesmo caminho do pai e da família que há gerações produz lendas do esporte.
De origem britânica, o jogo aparece por terras bretãs em inusitada cena de Monty Python – O Sentido da Vida (1983), na obra O Pranto de um Ídolo (1963), na qual um impulsivo jogador é atingido duramente, desencadeando uma série de flashbacks de sua carreira, e em The First Kangaroos (1988), telefilme sobre a primeira turnê do time australiano, ocorrida no Reino Unido entre 1908 e 1909. Na Austrália, aliás, como várias outras ex-colônias inglesas, o rúgbi é muito popular e encaminha as histórias de Sonho de Vitória/Footy Legends (2006), em que fã do esporte entra no campeonato amador para manter a família unida após a morte da mãe, e The Final Winter (2007), com jogador em crise na carreira quando os negócios atrapalham sua relação familiar e com o clube. Do País de Gales, vem a produção feita para TV Grand Slam (1978) e os quatro amigos galeses que vão ao campeonato Five Nations em Paris ver o jogo de sua seleção contra a França, enquanto o documentário neozelandês Patu! (1983) mostra protestos populares durante a turnê sul-africana no país, por causa do apartheid.
A modalidade ganha as telas na história verídica japonesa do ex-jogador e professor que vira técnico do time de uma escola cheia de alunos complicados em School Wars: Hero (2004), no documentário finlandês Machos com Tempo Livre (2009), focado em equipe do norte do país e sua insistência em manter a imagem de masculinidade, e no indiano Sye (2004), exemplar de Tollywood – indústria do cinema da região de Calcutá, cuja língua é o bengali – centrado em um time colegial que joga contra uma gangue para recuperar sua escola. Até a produção latina do brasileiro Walter Salles Diários de Motocicleta (2004) revela que Che Guevara jogava, apesar de ser asmático, pois o esporte é popular na Argentina. Ainda nos docs, The Rugby Player (2013) segue a luta da mãe de um jogador que se assumiu homossexual e morreu nos atentados de 11 de setembro, pelos direitos LGBT, e o indicado ao Oscar e premiado em Sundance Murderball – Paixão e Glória (2005), nome original do rúgbi em cadeira de rodas, acompanha a seleção dos EUA até as Paraolimpíadas de Atenas 2004.
 
Saltos Ornamentais
Pular das plataformas e trampolins fazendo acrobacias pode ser um item que o astro de ação Jason Statham prefere esconder do seu currículo – o ator competiu, em 1990, pela modalidade nos Jogos da Commonwealth, comunidade de países que formavam o Império Britânico –, mas os saltos ornamentais foram lembrados com destaque pelo cinema nos anos 80 e 90. De Volta às Aulas (1986), por exemplo, trazia, além de Robert Downey Jr. como coadjuvante, um pai que ia para a faculdade junto com seu filho a fim de reanimá-lo, chegando até a saltar pela instituição em competição. Outro típico filme Sessão da Tarde rodado no mesmo ambiente era Uma Vida de Louco (1987), em que um universitário, tentando ganhar dinheiro de qualquer maneira, resolve transformar seus belos colegas do time de salto em modelos de calendário.
Em Salto Mortal - O Desafio (1990), um jovem precisa superar o medo para conseguir saltar da plataforma de 10 metros e integrar a equipe da modalidade, enquanto o drama Rompendo Barreiras (1997) se inspira na vida do bicampeão olímpico Greg Louganis, saltador que enfrentou problemas familiares ao se assumir homossexual e descobrir ser soropositivo. De mais recente só o japonês Dive!! (2008), em que um jovem vai treinar em um clube falido.
 
Taekwondo
São muitos os filmes de artes marciais, mas o taekwondo nem sempre é o principal condutor de suas lutas. O esporte de origem coreana acaba tendo mais destaque no cinema oriental e são poucos os longas que têm a chance de vir para cá. São os casos de produções de Hong Kong, como o clássico When Taekwondo Strikes/Sting of the Dragon Masters (1973) e a comédia de ação What a Hero! (1992), e também do tailandês The Kick (2011), que acompanha uma família sul-coreana de especialistas na modalidade de mudança para Bangkok.
Hollywood chegou a usar esta arte marcial na trama de Operação Kickbox (1989) – e suas três sequências –, sobre a formação do time norte-americano da luta prestes a competir com a Coréia do Sul, de onde vem o protagonista de Desafio Final (2004), que tem Steven Seagal como antagonista. Sem falar na comédia Metendo os Pés pelas Mãos (2006), na qual Danny McBride encarna um fracassado professor de taekwondo.
 
Tênis
Ponto Final: Match Point (2005) tem o esporte escancarado em seu título, mas o jogo serve mais como analogia à história de suspense do professor de tênis interesseiro e a reverência de Woody Allen à Hitchcock, primeiro a levar a modalidade às telas com o tenista famoso que, ao cruzar com um estranho no trem, recebe uma proposta indecente em Pacto Sinistro (1951). Ainda entre os grandes, Antonioni brinca magnificamente com uma partida imaginária e mímica de tênis em Blow-Up - Depois Daquele Beijo (1966, foto ao lado), assim como existem cenas pontuais, mais ou menos cômicas, em Missão Madrinha de Casamento (2011) e Os Excêntricos Tenenbaums (2001). As raquetes ganham destaque nos melodramas Laços de Sangue (1951) e Jogo de Intrigas (1971) com seus tenistas influenciáveis e deslumbrados, enquanto para o de Amor em Jogo (1979) um romance com diferença de idade é seu grande problema.
Spring Fever (1982) chega a escalar a profissional canadense Carling Bassett para estrelar a produção e o telefilme Jogo Perigoso (1986) reforça as dificuldades enfrentadas pela jogadora transgênero Renée Richards, interpretada por Vanessa Redgrave. Já o adolescente da comédia Ninguém é Perfeito (1990) veste-se de mulher para se aproximar da nova garota do time de tênis – o gênero também traz jogadas em Racquet (1979) e A Mulher Absoluta. O tom romântico vem no conhecido Wimbledon – O Jogo do Amor (2004), em que o tenista perto da aposentadoria apaixona-se pela novata no torneio, e na campeã juvenil de 16-Love (2012) que começa a curtir a vida depois de uma lesão.
E se um antigo jogador torna-se técnico em The Break (1995) e outro chama o irmão para formar uma dupla em Break Point (2015), é um zelador que passa a treinar a equipe da escola no escrachado Bolas Fora: Gary o Treinador (2009). Continuando no clima cômico, o falso documentário 7 Dias no Inferno (2015), tem Andy Samberg e Kit “Jon Snow” Harrington disputando uma partida por uma semana inteira. Entre os verdadeiros docs, há o das irmãs Williams, Venus and Serena (2013); Jelenin Svet (2008), sobre a sérvia Jelena Jankovic; e o desafio do top tenista da Uganda para fugir da guerra civil e refugiar-se nos EUA em Somay Ku: A Uganda Tennis Story (2008). Ademais, o anime japonês The Prince of Tennis originou um filme animado em 2005 e outro em live-action de 2006.
 
Tênis de Mesa
Um dos esportes mais populares na Ásia, vem de lá justamente o filme mais significativo sobre tênis de mesa: o drama sul-coreano As One (2012) ficcionaliza a união das duas Coreias em um mesmo time, e todas as diferenças surgidas daí, para o Mundial de 1991 da modalidade. O Japão, por sua vez, apresenta a amizade de dois jogadores colegiais em Ping Pong (2002), título homônimo do documentário inglês de 2012 que mostra um torneio da 3ª. idade. Além do tênis de quadra, o de mesa é usado em uma cena de Match Point, casualmente em Questão de Tempo (2013) e em um caso de Forrest Gump (1994). Já o menino do coming of age Ping Pong Summer (2014) passa o verão jogando, mas passa a tomar aulas com a vizinha depois de confrontado com os garotos que dominam a casa de jogos; enquanto na comédia mais declarada Ping Pong Playa (2007), um jovem quer ser jogador de basquete, mas tem de substituir a mãe nas aulas de ping pong. Besteirol mesmo é Bolas em Pânico (2007), com Christopher Walken organizando uma competição de tênis de mesa em que a derrota significa a morte, talvez inspirada na partida mortífera do japonês The City of Lost Souls (2000).
 
Tiro com Arco
A história cinematográfica do tiro com arco é escrita mais por personagens que se destacam por suas habilidades de arqueiro e o mais icônico entre eles é, obviamente, Robin Hood que fica no imaginário coletivo pelas várias produções que usaram sua imagem mítico com o arco e flecha. Mas a galeria de mestres na pontaria vai de Rambo (Sylvester Stallone) à Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) da franquia Jogos Vorazes, passando por Legolas (Orlando Bloom) da trilogia O Senhor dos Anéis e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) dos Vingadores. No entanto, o artefato é comum em cenas de batalhas, especialmente medievais, a exemplo de Rei Arthur (2004) e Coração Valente (1995), ou que envolvem povos nativos, como visto recentemente e em abundância em O Regresso (2015). O humor dá o tom das lições de tiro com arco em O Diário da Princesa 2, enquanto o objeto cumpre papel trágico no drama Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011). Ele está também em animações, como Princesa Mononoke (1997) dos estúdios Ghibli e Valente (2012) da Pixar, onde há até competição.
 
Tiro Esportivo
Tiroteios são um fetiche cinematográfico que fazem parte de quase todos os filmes de ação, espionagem, guerra e duelos de faroeste. Contudo, a precisão e a concentração próximas ao tiro esportivo são encontrados quando o treinamento militar é destaque ou fez parte da vida pregressa do personagem, a exemplo dos atiradores de elite em Atirador (2007) e Sniper Americano, e do instrutor de tiro da polícia no francês Colt 45 (2014).
Aliás, é uma competição interna entre policiais que exemplifica bem o primeiro caso, em Magnum 44 (1973), segundo filme com o detetive Darty Harry, vivido por Clint Eastwood, rei das pistolas do western spaghetti e diretor, justamente, do Sniper. Outra espécie de disputa é o cenário de O Declínio dos Anos Dourados (1985), longa inglês que mostra o shoting party, um final de semana de caça dos aristocratas, confrontados pelas camadas mais pobres da população que os cercam, junto ao fim do seu estilo de vida.
Já os competidores profissionais são protagonistas em Prazer de Matar (2000), filme policial de Hong Kong, que retrata um campeão transformado em um assassino psicopata e ganhou a sequência Triple Tap (2010), trajetória semelhante do vencedor na categoria de rifles que vira matador de aluguel no drama franco-belga La résistance de l'air/ Through the Air (2015). A modalidade esportiva conta com provas de carabina, pistola e tiro ao prato, tendo nesta última alguns exemplares de breves cenas cômicas, desde James Bond tentando acertar o alvo em movimento em 007 Contra a Chantagem Atômica (1965, foto ao lado) até os mais recentes pratos ao ar em Sim, Senhor (2008, foto ao lado) e Par Perfeito (2010). Para sentir o clima de Olimpíadas, há o média-metragem Alvo Olímpico (2013), doc brasileiro que busca popularizar o esporte.
 
Triatlo
Com tantas produções sobre natação, ciclismo e corrida, filmes específicos de triatlo são raros. O único lançado no Brasil, diretamente na TV, é o francês Meu Pai, Meu Herói (2013), que mostra um ex-triatleta e maratonista que se reaproxima do filho tetraplégico, quando este lhe pede ajuda para competirem junto no famoso e grandioso Ironman.
A preparação de quatro atletas de elite para a mesma prova é o foco do documentário What It Takes: A Documentary About 4 World Class Triathletes' Quest for Greatness (2006), um dos outros longas que o público mais interessado pode caçar, em suas versões originais em inglês, na internet. Exemplos são a comédia Off the Mark/Crazy Legs (1987), sobre um jovem que reencontra em uma competição de triatlo o russo que morou em sua casa durante um intercâmbio, ou, em breve, o drama Tri (2016), no qual a protagonista se inicia no esporte.
 
Vela
Hollywood sempre adorou o mar e a navegação já foi tema de várias produções, que vão além do Titanic (1997). As velas são destaque na pirataria cinematográfica, vide a franquia Piratas do Caribe, e aventuras marítimas, como a inspiração de Moby Dick em No Coração do Mar (2015), o histórico Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo (2003), além do documentário de 1950 e a ficção de 2012 que retratam a expedição norueguesa Kon-Tiki.
Os veleiros também são palcos para dramas como Tormenta (1996), baseado no caso real de um navio-escola, e Até o Fim (2013) com Robert Redford em momento O Velho e O Mar, e até de suspense, a exemplo de Terror a Bordo (1989). Porém, é muito comum eles serem usados pontualmente como objeto de hobby: vide Thomas Crown – A Arte do Crime (1999) e as diferentes versões de Thomas Ripley de Patricia Highsmith em O Sol Por Testemunha (1960) ou O Talentoso Ripley (1999). A verídica volta ao mundo de um jovem no romance Entre Dois Destinos (1974) vai de encontro ao documentário brasileiro O Mundo em Duas Voltas (2007), com a expedição da famosa família Schürmann repetindo a de Fernão de Magalhães.
A prática aparece como esporte em Temporada de Verão/Aluga-se Para o Verão (1985), comédia com John Candy e a família de seu personagem em uma disputa de barcos a vela no final, assim como no francês Contra a Maré (2013), em que o título de uma competição de iatismo individual é posto em risco quando se descobre um menino escondido na embarcação. Histórias reais conduzem o doc Morning Light – Desafio Em Mar Aberto (2008), que acompanha jovens em uma corrida no Pacífico, e o drama Wind – A Força dos Ventos (1992), inspirado no time norte-americano que tenta resgatar o troféu da famosa regata America’s Cup, perdido antes para os australianos. Nos moldes olímpicos, ela tem espaço em A Morte e Vida de Charlie (2010), no qual o protagonista ganha uma bolsa universitária pelo desempenho em campeonatos de vela, e em Reinaldo Conrad – A Origem do Iatismo Vencedor (2016), documentário brasileiro sobre o primeiro medalhista do país na modalidade.
 
Vôlei
Apesar de sua grande popularidade mundial, o vôlei nunca teve muito destaque no cinema. Junto com a icônica bola Wilson, praticamente um personagem de Náufrago (2000), a famosa cena de Top Gun: Ases Indomáveis (1986), com Tom Cruise e Val Kilmer sem camisa dando manchetes e cortadas na areia, talvez seja o ápice do esporte nas telas para o grande público.
Aliás, toda a sensualidade empregada naquela sequência pode ter sido a inspiração para outros realizadores fazerem o mesmo uso do vôlei de praia, variação que se transformou em nova modalidade esportiva, tornando-o mais comum em Hollywood do que o desporto original. Igual caráter sedutor é visto, em maior ou menor medida, desde uma pequena cena no longa adolescente Ela É Demais (1999) até Garotas Show de bola (2006), comédia que mostra um time formado por strippers. As duplas femininas também são o destaque do thriller Match Point – Jogo Perigoso (2008), enquanto as masculinas estrelam Os Reis da Praia (1990), figurinha fácil da Sessão da Tarde dos anos 90, e o famoso esportista canino que vai para as areias jogar vôlei em Bud 4: É uma Jogada Perfeita (2003).
Já o vôlei, em sua origem nas quadras, sempre foi pontuado rapidamente dentro do ambiente escolar, como em Carrie, a Estranha (1976), A Garota de Rosa-Shocking (1986), Sexta-Feira Muito Louca (2003) e até em Crepúsculo (2008). Porém, só ganhou destaque em uma trama juvenil em Garotas Rivais (2006), produção da MTV direto pra DVD, com a cantora Ciara no elenco. Antes, o esporte ganhou sua obra mais representativa até então: As Damas de Ferro (2000, foto ao lado), dramédia tailandesa, inspirada no caso real de preconceito enfrentado por uma equipe local formada por gays e transgêneros. De resto, ele é assunto para documentários, como o norueguês Vovós do Vôlei (2013), sobre um time de mulheres na 3ª idade, e os brasileiros Viagem - O Saque que Mudou o Vôlei (2013) e Ouro, Suor e Lágrimas (2015), focado nas trajetórias vitoriosas das seleções masculina e feminina que ajudaram a tornar o vôlei o segundo esporte mais popular no Brasil.
 
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