Entrevistas

Grace Passô leva seu monólogo “Vaga Carne” ao cinema e estreia como diretora

Por Alysson Oliveira

Publicado em 13/05/20 às 10h07

 Gracê Passô em cena de seu filme, que marca sua estreia na direção de cinema (Crédito: Divulgação)

 
A trajetória do média Vaga Carne é curiosa. Começou como um monólogo de teatro escrito e interpretado pela mineira Grace Passô. Dada a forma peculiar da peça, sua transposição para o cinema não era, a priori, algo imaginável. Mas, dada a força do texto e da interpretação, seria um desperdício não ter um registro para a posteridade desse trabalho. Para a atriz e dramaturga, que codirigiu o filme com Ricardo Alves Jr., a mudança central está na perspectiva e na linguagem. “É um outro trabalho, é algo que nasceu do teatro, mas para ir para o cinema foi transformado”, diz Passô em entrevista ao Cineweb.
 
A atriz e dramaturga conta que “filmar uma peça pode ser uma grande frustração”, por isso, foi necessário se reinventar. “O teatro é o encontro dos corpos, a relação direta com o público. Já o cinema é a relação com as máquinas, existem várias etapas de criação.” A reinvenção, continua, é necessária numa peça cuja questão central são os gestos e ações dos corpos. Para ela, os gestos são uma forma de escancarar a estrutura colonial de nossa sociedade. “O que irá mudar isso? São os nossos gestos, além de colocarmos em prática os discursos, em especial da classe artística, sobre aquilo que a gente defende.”
 
Nos últimos anos, Passô parece ter tomado gosto pelo cinema, atuando em  diversos filmes, como Praça Paris (que lhe rendeu prêmio de interpretação no Festival do Rio de 2017), Temporada e No coração do mundo. A estreia na direção cinematográfica também foi uma descoberta para ela. “Sempre tenho vontade de fazer muitas coisas, especialmente as coisas que eu nunca fiz. E dirigir o filme abriu um campo de conhecimento de coisas novas para mim.” Ela também conta que existem outros roteiros inéditos nos quais está trabalhando e poderão ser filmados no futuro.
 
A atriz conta que, para ela, escrever é uma maneira de ter uma relação radical com as questões do nosso tempo. “Vaga Carne é de 2016, e, para mim, é a tentativa de descontruir o corpo socialmente. O que nossos corpos tem a nos dizer e dizer ao mundo?” Desde sua estreia, a peça viajou pelo Brasil e, segundo sua criadora, “é um projeto que nunca me abandona.”















Alysson Oliveira

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