Entrevistas

As paixões do protagonista de “Rainha de Copas”, na tela e fora dela

Por Alysson Oliveira

Publicado em 11/09/19 às 10h43

Trine Dyrholm e Gustav Lindh vivem uma paixão proibida no dinamarquês "Rainha de Copas" (Crédito: Divulgação)
 
Em seu primeiro papel de destaque no cinema, no drama Rainha de copas, o ator sueco Gustav Lindh enfrentou um grande desafio: protagonizar um filme ao lado da dinamarquesa Trine Dyrholm, uma das grandes atrizes europeias da atualidade. “Foi intimidante, mas ela me acolheu com generosidade e me ajudou muito. Foi um trabalho muito colaborativo”, comenta o ator em entrevista ao Cineweb, em São Paulo, onde veio divulgar o longa.
 
Em Rainha de copas, Lindh é um jovem problemático a ponto de ser mandado para uma internato. Mudar-se para a casa do pai (Magnus Krepper) é a última tentativa de alterar sua vida antes de uma medida mais drástica. Os dois não se dão muito bem, mas sua madrasta, Anne (Dyrholm), tenta integrá-lo à família, que também inclui duas gêmeas. Os dois se tornam amigos e, mais tarde, amantes.
 
Lindh acredita que o que atrai Anne ao seu personagem, também chamado Gustav, é sua vulnerabilidade. “Os personagens do filme são muito de carne e osso. Ele pode ser muito viril mas, ao mesmo tempo, é muito frágil.” O ator conta que o envolvimento entre os dois – que inclui algumas cenas um tanto ousadas – é complexo, pois são “duas pessoas em busca de algo que lhes falta”.
 
Para conseguir o papel, Lindh fez alguns testes. “Como eu moro em Estocolmo e a diretora [May el-Toukhy] na Dinamarca, gravei uma fita com algumas cenas e mandei. Depois fiz uma leitura com Trine.” Já na preparação para o filme, ele dividiu um apartamento com Krepper, seu pai na ficção, por um mês. No set, ele conta que el-Toukhy é muito aberta à improvisação, o que ajuda na composição dos personagens e fluidez dos diálogos. “O processo todo foi muito colaborativo.”
 
Ganhador do Prêmio do Público em Sundance, no começo de 2019, Rainha de Copas é um filme que poderia facilmente ganhar um remake americano - e o próprio Lindh tem suas sugestões para o papel de Gustav. “Acho que Timothée Chalamet ou Lucas Hedges, mas talvez um ator estreante fosse uma escolha melhor”. Mas ele também admite que não faria novamente o papel, se fosse convidado. “Não apenas porque eu já estaria velho demais para o personagem, mas porque não gosto de me repetir. Sempre tento experimentar.”
 
Cinéfilo compulsivo
 
Lindh conta que é apaixonado pelo cinema, não apenas como ator, mas também como público. “Vou muito ao cinema e vejo de tudo, de blockbuster hollywoodiano a experimentais europeus. Sou compulsivo para ver filmes”. Como exemplos, ele cita desde o diretor inglês Christopher Nolan até os longas brasileiros Tropa de Elite (cujo título cita em português mesmo) e Cidade de Deus (já esse ele trata por City of God).
 
O ator lamenta, no entanto, o pequeno mercado de trabalho em cinema na Suécia. Com uma carreira de cerca de 5 anos, Lindh fez mais televisão do que cinema, mas não se arrepende. “Há histórias muito boas sendo contadas na televisão, e é isso que me interessa: contar uma boa história.”
 
Para continuar fazendo isso, Lindh confessa que seu sonho é ter o poder de também produzir os longas em que atua. “Assim também poderia acompanhar todas as etapas da produção do longa e inclusive ter mais chances de opinar.” Fora isso, ele não descarta dirigir seus próprios filmes. “Eu tenho um respeito muito grande por diretores. É um trabalho muito difícil, que nem sempre tem o reconhecimento devido.”















Alysson Oliveira

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