Entrevistas

“Os jovens se sentiram representados com ‘Uma viagem inesperada’”

Por Sem assinatura

Publicado em 27/03/19 às 15h20

Juan José Jusid dirige Débora Nascimento e Pabro Rago, em cena de "Uma viagem inesperada"

 
Por Alysson Oliveira
 
Cineasta argentino veterano, Juan José Jusid mergulhou no universo juvenil para fazer Uma viagem inesperada, uma coprodução entre seu país e no Brasil. O filme tem como um dos temas o bullying e retrata as complicações na vida de um adolescente vítima da prática e como isso acaba afetando sua família. Nessa entrevista, o diretor fala sobre as descobertas ao longo da produção e da participação da brasileira Débora Nascimento, entre outras coisas. Confira abaixo:
 
 
Como surgiu a ideia do filme?
Em meio ao aumento das relações disfuncionais, as relações líquidas e passageiras entre os seres humanos em nosso tempo, eu decidi explorar o que acontece quando um adolescente atingiu o fundo e como isso perturba seu ambiente e inevitavelmente derruba seus pais.
 
Qual é o tipo de pesquisa que teve que fazer para criar o filme?
Eu coloquei a ênfase em investigar o mundo dos adolescentes, que para mim representava um mistério insondável. O mundo dos adultos era indubitavelmente mais abrangente.
 
Especialmente falando sobre o universo adolescente, que tipo de trabalho anterior foi feito para criar o enredo e os personagens?
Fiz diversas entrevistas com jovens de 15 a 17 anos, protegendo-os com a maior privacidade. Assim, a partir de seus problemas, suas dificuldades de comunicação com o mundo dos adultos e as particularidades de sua linguagem, quase dialetal, apareceram em linhas gerais os nós temáticos do roteiro do longa.
 
Como foi a escolha do jovem elenco do filme? E o trabalho de preparação e direção deles?
Em geral minha, proposta para os atores no cinema é ... que eles não atuem !! Isso quer dizer que eles assumam os conflitos que o filme lhes propõe com suas próprias experiências. Com suas próprias intensidades, sua sensibilidade e experiência pessoal. Isso também se aplica ao mundo dos adolescentes.
 
Como se deu a coprodução com o Brasil?
Por acaso, uma das primeiras versões do roteiro do filme chegou às mãos de Leticia Friedrich, da Boulevard Filmes, no encontro Ventana Sur, em Buenos Aires. Ela se interessou pela história e o projeto.
 
Como ocorreu a escolha e participação de Débora Nascimento?
O pessoal da Boulevard Films propôs material gravado com o casting para o personagem da namorada brasileira de Pablo, protagonista do filme. A escolha de Deborah foi um achado. Além de sua beleza única que ilumina a tela, trouxe comprometimento e intensidade à sua participação no filme
 
E como foi a recepção com o público jovem na Argentina? O filme levantou discussões sobre o bullying?
Tivemos várias sessões organizadas exclusivamente para adolescentes e também pré-adolescentes. Devo confessar que as reações deles me deixaram desconfortável e preocupado. Em seguida, realizamos uma pesquisa e a maioria das respostas colocou a ênfase na identificação desses espectadores com os personagens jovens do filme. Eles se sentiram representados com autenticidade.















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