Entrevistas

“Volínia”, um filme polonês que resgata um episódio traumático da história do país

Por Sem assinatura

Publicado em 12/12/18 às 14h17

Atriz polonesa Michalina Labacz, em cena de Volínia
 
Por Alysson Oliveira
 
A jovem atriz polonesa Michalina Labacz estreou no cinema em um filme desconcertante: Volínia, que faz parte da seleção da Mostra de Cinema Polonês - 100 Anos da Reconquista da Independência, que acontece em São Paulo até o próximo sábado (15/12), com sessões gratuitas. Em visita à cidade para participar do evento, a atriz destacou em entrevista que “fazer o filme foi resgatar um episódio forte da história de seu país”.
 
O longa, escrito e dirigido por Wojciech Smarzowski, passa-se na região que dá título ao filme, ao noroeste da Ucrânia, e acompanha um período entre 1939 e 1943, que culminou num massacre. Labacz interpreta a protagonista, Zosia, uma moça prometida a um homem mais velho, administrador da aldeia onde vive com sua família, mas está apaixonada por um rapaz ucraniano. “O mais impressionante no filme é que os fatos são reais, não são uma invenção. Isto causou muita comoção no país”, disse em entrevista ao Cineweb.
 
Conforme ela explica, essa questão é muito delicada em seu país, é algo que a história oficial tenta encobrir. Atualmente, a região de Volínia pertence à Ucrânia. “A história retratada no longa incomoda até hoje. Esperamos que a obra possa causar novas reações.” O filme ganhou diversos prêmios em 2016. Labacz levou o troféu de atriz estreante num festival de cinema que ocorre na Polônia.
 
A atriz de 26 anos conta que o longa Volínia surge como uma ponte, uma reconciliação entre a Polônia e a Ucrânia. “Aquilo que aconteceu foi uma barbaridade, e o filme também é uma homenagem aos moradores da região, uma tentativa de construir uma memória para poder haver o perdão mútuo.”
 
Ela admite que prefere dramas a comédias. Embora seu país seja mais conhecido pelos filmes mais sérios e profundos – como os de Andrzej Wadja e o recente Guerra Fria, de Paweł Pawlikowski, ganhador do prêmio de direção no Festival de Cannes deste ano, também exibido na Mostra – também existem comédias polonesas, mas ela prefere os dramas. “Prefiro esse gênero porque pode nos fazer pensar mais abordando questões reais.
 
Labacz era estudante de teatro quando participou do processo de seleção de elenco de Volínia, que durou cerca de um ano. “Eu estava no segundo ano, foi demorado e eu fiquei muito ansiosa. Depois de aprovada, passei a ler bastante sobre o assunto, mas o diretor me ajudou muito na minha primeira vez na frente das câmeras.”
 
A atriz participa de um debate com o público após a sessão de Volínia, na quinta (13), às 19h30, na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207, São Paulo). Os ingressos são grautitos, e começam a ser distribuiídos uma hora antes da sessão.















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