Entrevistas

Shyamalan de volta ao sucesso, perdido nas identidades de um novo vilão

Publicado em 22/03/17 às 13h54

 
Por Neusa Barbosa
 
M. Night Shyamalan está tendo um reencontro com o sucesso a partir do thriller Fragmentado – que parte do resgate de um personagem de outro filme, Corpo Fechado (2000).
 
De passagem pelo Brasil para lançar o filme, o simpático diretor de 46 anos concedeu uma relaxada coletiva nesta terça (21-3), na qual comentou que o transtorno que acomete seu protagonista aqui (James McAvoy) – Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) – “sempre o fascinou”. Nestes 17 anos que separam Corpo Fechado de Fragmentado, ele leu muito a respeito e consultou psiquiatras também. E garante que 99% dos detalhes mencionados no filme sobre a doença são verdadeiros – como que os pacientes possam ter manifestações físicas, como diabete ou cegueira, quando estão sob o domínio de alguma de suas personalidades. “É como uma possessão”, compara.
 
Mas por que levou 17 anos para que ele, finalmente,dedicasse um filme ao personagem? A razão está numa mudança na disposição do público. No final dos anos 1990, segundo Shyamalan, essa disposição era “mais sentimental”. Por isso, o filme que ele fez então foi Sinais (2002), “que era mais de acordo com o tom da época”. E completa: “Você não podia fazer filmes tão sombrios. Dez, quinze anos depois, você pode, como eu fiz em A Visita (2015). Os heróis hoje são Jack Sparrow, Tony Stark...”.
 
Outra coincidência foi que o ator James McAvoy já havia pensado em fazer um filme sobre este transtorno. Shyamalan não poupa elogios ao seu intérprete: “Ele foi destemido. Você não pode se proteger para fazer este filme. Ao mesmo tempo, ele era o tipo de ator que podia trazer empatia”. O diretor destaca que procurou facilitar o trabalho do ator mantendo-o numa personalidade por dia: Hedwig, a personalidade criança, que quer romper tudo e brincar; Patricia, uma fanática; Dennis, um perfeccionista, e assim por diante. “Todos estão ali para proteger Kevin (a personalidade central), mas alguns são bem impróprios”.
 
Em relação à sexualidade, o diretor comenta que todas as personalidades “têm uma conexão congelada (com esse aspecto), nenhuma atingindo a maturidade”.
 
 O final – que remete a um de seus filmes de maior sucesso -, segundo ele, “estava no roteiro desde o começo”. E ele insiste em pedir que os jornalistas presentes não divulguem nenhum spoiler. O fato de ter colocado essa menção a um filme antigo, que talvez jovens espectadores de Fragmentado e A Visita não conheçam, para ele é um fator de encontro entre vários públicos, que é o que ele procura e até o que ele mesmo experimenta no set: “Sou o velho vampiro, trabalhando com uma equipe mais jovem”, descreve, rindo. Nessa equipe, ele menciona o diretor de fotografia Mike Gioulakis (Corrente do Mal), o compositor West Dylan Thordson (Joy) e o montador Luke Carriocchi, que fora seu assistente de montagem em O último mestre do ar (2010).
 
Foto: Fábio Chiba/Divulgação

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