Entrevistas

Documentarista de “Waiting for B.” quer que o filme faça barulho para chegar até Beyoncé

Publicado em 01/03/17 às 13h17

 
 
Por Alysson Oliveira
 
Quando começou a fazer o filme Waiting for B., o documentarista Paulo Cesar Toledo mal conhecia a cantora norte-americana Beyoncé, embora sua mulher e codiretora do filme, Abigail Spindel já gostasse da sua música. Agora isso mudou, ele sabe “TUDO o que acontece na vida dela”, conforme conta nessa entrevista ao Cineweb. Não é para menos. Durante dois meses, em 2013, a dupla de diretores acompanhou um grupo de fãs da artista acampados em frente ao estádio do Morumbi (SP). O resultado pode ser visto nas telas a partir desta quinta (2-3).
 
 
Como surgiu a ideia do filme?
A origem de tudo veio de uma curiosidade pessoal que eu sempre tive sobre os fãs que acampam para shows. Apesar de me considerar um super-fã de música, eu nunca considerei a necessidade de chegar tão cedo pra tentar ficar na grade.
Então, em julho de 2013, lendo um jornal eu vi uma notinha dizendo que alguns fãs estavam acampando na frente do Morumbi para o show da Beyoncé que aconteceria em setembro. Eu e a Abigail Spindel estávamos procurando temas para produzirmos minidocumentários de até 10 minutos. Então achei que esse era um tema que renderia um curta. Pegamos nossos equipamentos e fomos pro estádio, onde rapidamente percebemos que era assunto pra muito mais que 10 minutos.
 
 
Qual sua relação com Beyoncé?
A Abigail já gostava da música dela, mas confesso que eu mal a conhecia... Hoje, eu a admiro bastante como artista e também pelo nível de excelência que ela imprime a tudo que produz. Eu acho o Lemonade um álbum ótimo. Acho que ela ajudou a me tornar um roqueiro menos 'fundamentalista'.
E graças aos personagens do filme eu agora sei de TUDO o que acontece na vida da Beyoncé via Facebook!
 
Tinha alguém filmando a fila o tempo todo?
Não tínhamos alguém filmando o tempo todo, infelizmente. Nós fizemos esse filme sem financiamento nenhum e a equipe limitou-se à Abigail e a mim revezando na câmera e áudio. Assim, nós filmávamos quando dava e tínhamos que parar quando apareciam outros trabalhos. Mesmo assim, deu pra manter uma frequência de gravação a cada 2 ou 3 dias, que ao longo de 6 semanas rendeu material suficiente para uma visão geral da vida dos fãs nesse período.
 
Como foi o processo de ganhar a confiança dos fãs para eles se abrirem nos depoimentos?
Nós conseguimos essa intimidade graças a três fatores: a generosidade dos meninos e meninas que estavam acampando, a nossa micro-equipe de 2 pessoas e também por causa do estilo de filmagem, que é a do documentário de observação. Quanto maior a frequência com que íamos ao acampamento, mais eles se acostumavam conosco e fomos deixando de ser “novidade”. Depois de algumas semanas eles passaram a nos considerar simplesmente como membros da fila. A partir daí é que, graças a essa convivência, foi possível chegar nesse nível de espontaneidade.
 
Qual a quantidade de material bruto que você tinha? Como foi feita a seleção para a montagem?
Nós tivemos umas 40 horas de material, o que para um documentário desse tipo é pouquíssimo! Mas aí entra a riqueza do material: apesar de não termos quantidade, a qualidade das cenas era ótima e por isso conseguimos montar um longa-metragem. Nosso critério de corte era o nível de intimidade e também a universalidade. Tentamos usar o mínimo possível de depoimentos e priorizamos os momentos que realmente deixam o público com a impressão de estarem lá acampando com eles. E sobre universalidade, me refiro a situações que eram individuais mas que também mantinham um elemento em comum entre os fãs, como o clima tenso com a família, as dificuldades que representam ter um emprego e morar longe do Morumbi e ainda ter que cumprir sua escala para guardar lugar na sua barraca.
 
Qual foi a maior dificuldade para a produção do filme?
Acho que a maior dificuldade foi viabilizar um longa-metragem com ZERO orçamento. É um verdadeiro milagre que esse filme esteja tendo esse lançamento pelo Brasil inteiro, graças à Vitrine Filmes. Mas antes da Vitrine, esse filme só saiu porque outros parceiros, como a Teleimage, a TRIO e a Popcon abraçaram o projeto e trabalharam de graça para que ele pudesse ganhar o mundo.
 
Vocês chegaram a enviar uma cópia do filme para a Beyoncé?
Sim, enviamos um link para o agente dela, mas nem sabemos se chegou nela... Quem sabe, se fizermos bastante barulho aqui no Brasil, ela não assiste?

Outras notícias