Entrevistas

Alê Abreu, Luiz Bolognesi e o momento mágico da animação brasileira

Publicado em 24/08/16 às 15h45

Alê Abreu (esq.) e Luis Bolognesi: o novo patamar da animação brasileira (Foto: Aline Arruda)
 
Por Neusa Barbosa
 
De um lado, o principal nome da animação brasileira do momento, depois de concorrer ao Oscar com O Menino e o Mundo – que acumula mais de 40 prêmios nacionais e internacionais. De outro, um dos roteiristas mais requisitados e premiados do Brasil, por trás de sucessos como os dramas Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade, e também diretor e roteirista de uma animação, Uma História de Amor e Fúria, que levou o prêmio principal do maior festival de animação do mundo, o de Annecy, na França, em 2013.
 
A associação entre os talentos de Alê Abreu e Luiz Bolognesi é, então, uma espécie de time dos sonhos em campo num momento em que a animação brasileira está despertando não só curiosidade e respeito como sendo objeto de caça de talentos no mercado internacional.
 
Nesta entrevista, concedida a um grupo de jornalistas no mais recente FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental em Goiás – entre os quais, Neusa Barbosa, do Cineweb -, os dois realizadores falaram deste novo patamar da animação brasileira, de cinema autoral, produções para a TV, pirataria, internet e também de novos projetos – como Viajantes do Bosque Encantado e Imortais – ao lado de Priscilla Kellen, mulher de Alê e diretora assistente de O Menino e o Mundo e de uma ainda inédita série para TV, Vivi Viravento.
 
P – Como anda a representatividade da animação brasileira nos festivais de cinema em geral?
Alê – A animação vem crescendo no mundo, a animação independente. Existe um mercado pra ela que há dez anos atrás não havia. Falando da animação brasileira, estive em Annecy agora e os jornalistas internacionais perguntam para a gente o que está acontecendo aqui no Brasil. Essa é a pergunta que a gente mais ouve lá fora. O fato é que a gente vem de uma construção histórica. Muitos colegas vêm lutando por isso há muito tempo. A gente está colhendo os frutos de muito trabalho.
 
Bolognesi – Completando o que o Alê diz, o que eu acho mais interessante neste momento que a gente está vivendo na animação brasileira é que ela escolheu o caminho autoral, o caminho do cinema de autor. Não foi a mesma escolha que outras cinematografias fizeram nas últimas décadas. A gente vê que alguns países começaram a colocar filmes no mercado internacional que são imitações genéricas da Pixar. E muita gente se viabilizou na animação fazendo service para os grandes estúdios da França, do Canadá, dos EUA. O Brasil teve essa possibilidade, procuravam serviço no Brasil e, por exemplo, a equipe que trabalhava em Uma História de Amor e Fúria tinha que decidir entre fazer alguns services internacionais ou ficar ganhando um pouco menos fazendo um filme brasileiro. E todo mundo decidiu ficar com a gente. Eles diziam: “Aqui a gente está fazendo um filme brasileiro, para brasileiros, somos todos brasileiros, da forma que a gente quer, com a nossa identidade, a nossa estrutura, nossa escolha de cores, de música”. E isso, na verdade, foi visto até como uma escolha menor mas acabou surpreendendo lá na frente. Tanto que a gente vê, a partir de Annecy, o que está acontecendo aqui, que houve um reconhecimento muito grande desse tipo de trabalho, tanto nos curtas quanto nos longas.
 
Então, neste sentido, eu acho muito importante que a animação esteja nesse caminho. Porque cinema autoral não é cinema do ego. O que é interessante no cinema autoral é a liberdade. Quando se fala em cinema autoral o que tem valor pra mim é que esses autores tenham a liberdade de falar o que eles querem. Em um cinema industrial não há essa liberdade porque o que manda é o algoritmo do lucro. E na hora em que a gente foi por um outro caminho, que parecia um caminho de perdedores, a gente acabou tendo uma reviravolta nas nossas expectativas. O filme do Alê (O menino e o mundo, imagem ao lado) foi vendido para mais de 80 países, foi para o Oscar, um filme que custou US$ 600.00 contra um filme da Pixar de US$ 150 milhões. É um momento em que a gente está colhendo frutos e eu acho muito interessante que o FICA esteja abrindo espaços, esteja criando oficinas para a animação porque realmente a animação virou um território de cinema de qualidade reconhecido mundialmente e um território de liberdade para falar dos nossos problemas. E é evidente que um filme nosso tem questões ambientais. O filme do Alê tem questões ambientais embutidas, não é um filme discursivo sobre isso. O próprio Uma História do amor e fúria também. Então, acho que uma das maiores angústias que o Brasil tem hoje é a questão ambiental, a questão hídrica. Isso vai estar em nossas obras e muito mais dentro do ambiente autoral, em que os autores são livres, não vão ter pela frente produtores que vão falar: “Isso você não pode falar”, por causa de interesses econômicos. Isso é que eu acho que é o mais rico no momento da animação que a gente está vivendo. Pra nós é uma surpresa muito grande, a gente não esperava esse reconhecimento internacional. É um momento muito rico, em que a gente está podendo entregar um cinema de qualidade e com liberdade.
 
Priscilla – Infelizmente, ainda existe muito no Brasil uma cultura de que animação é só para crianças. Não é o caso do FICA, mas em outros festivais eu vejo sim uma resistência diante de tratar a animação como um gênero não necessariamente infantil. Acho até que isso está mudando, nos editais por exemplo. Acho muito importante que isso se preserve, porque a gente está ainda num crescente desse movimento.
 
P- O orçamento de Viajantes do Bosque Encantado, novo filme de Alê Abreu, está previsto em R$ 7 milhões, enquanto O Menino... custou R$ 4,5 milhões. É possível fazer cinema com um orçamento assim alto, em termos brasileiros, sem parcerias internacionais?
 
Alê – Viajantes do Bosque Encantado é um filme bastante mais ousado do que meus anteriores, em termos técnicos, de animação. E a ideia é que não seja produzido só no Brasil. Tem um co-produtor de Luxemburgo, um outro produtor dinamarquês interessado e um francês. Então é esse pensamento que está se construindo. É possível que no ano que vem a gente feche essas coproduções, já está adiantado, é uma realidade. Se você for pensar nesse orçamento para o Brasil talvez seja alto. Mas se você pegar esse valor no mercado internacional ele é praticamente um baixo orçamento lá na Europa, um filme independente. Possivelmente com esse valor na Europa a gente não consiga fazer um filme do jeito que a gente deseja.
 
Bolognesi – No Festival de Annecy, eu investiguei, no ano em que a gente estava competindo, nosso filme era disparado o mais barato. Seria um filme de US$ 1,5 milhão. Os filmes estavam entre 5 e 20 milhões de euros, todos os que estavam competindo. Nós começamos a fazer animação num momento em que não havia tanta demanda. Hoje os profissionais de animação estão todos contratados. Os profissionais brasileiros estão produzindo muito por conta das séries para televisão, que a gente está produzindo e exportando. Quando eu comentei que a equipe optou por permanecer ganhando pouco lá atrás, isso não dá mais para a gente contar agora. Muita gente qualificada está sendo chamada para trabalhar no Canadá, na França. A gente está perdendo mão-de-obra para o mercado internacional por causa da força da moeda estrangeira. Então, na verdade, não dá mais para produzir longa de animação nos valores que a gente fez há 5 ou 6 anos atrás. A animação brasileira se profissionalizou, se qualificou, e está tendo muita demanda para esses profissionais. Isso é muito bom, é bom que a nossa economia de entretenimento seja potente, que o dinheiro circule, que as pessoas ganhem bem, que a gente produza. Mas a gente precisa ter mais escolas para formar mais gente porque está faltando mão-de-obra qualificada.
 
Alê – O que encarece muito a animação é o tempo de produção. Trabalhei três anos e meio no O Menino e o Mundo. A gente está prevendo pro Viajantes do Bosque Encantado 33 meses só de produção.
 
Priscilla – Na experiência que a gente teve no O Menino e o Mundo, você começa com uma equipe e até ela se familiarizar com aquela linguagem, leva tempo. Por mais que seja uma equipe experiente, não estamos falando de filmes que têm sempre a mesma cara, como no caso por exemplo da Pixar. A gente procura sempre reinventar e formar essa equipe. O que acontecia muito no O Menino e o Mundo era que quando você finalmente tinha conseguido formar e começava a compensar o que você investiu naqueles profissionais, você os perdia para outra produção, para uma série. E aí você tinha que formar novas pessoas.
 
Alê – Está realmente muito aquecido o mercado, então, quem tem mais dinheiro leva os melhores profissionais. Quem tem os melhores profissionais acaba fazendo os melhores filmes.
 
Priscilla – É claro que essa formação de mão-de-obra faz parte do processo. A gente teve muitos estagiários em O Menino e o Mundo e é riquíssimo também formar pessoas. Mas é importante também garantir a produção, não comprometer a produção.
 
P- Alê, o que você pode adiantar sobre Viajantes do Bosque Encantado?
 
Alê – Vou falar bem pouco. O filme é sobre duas crianças-bicho, um menino-lobo e um menino-urso,e que são agentes secretos de seus respectivos reinos, o Reino do Sol e o Reino da Lua, que são inimigos mortais. Eles se odeiam. Então, essas duas crianças estão perdidas em suas missões, dentro de um bosque. E é um lugar perigosíssimo, cercado de gigantes que estão ali à espreita, prontos para invadir aquele lugar. Tem seres estranhos rondando aquele espaço, bichos perigosos, situações perigosas. E esses dois estão perdidos ali. Ao mesmo tempo, eles têm que sobreviver e tentar resolver as suas missões. Então, eles se encontram, se odeiam, um quer matar o outro mas descobrem que precisam um do outro para resolver o enigma. Então, são obrigados a caminhar juntos, vão se esbarrando. Isso acaba aproximando os dois e tornando-se uma história de amizade, sobre a possibilidade de povos completamente diferentes (se ajudarem). No final das contas todo mundo é muito igual ali.
 
P- Esta produção vai ser completamente diferente de O Menino..,. também no sentido de que vai ter muitos diálogos. Você está sentindo o desafio dessa diferença?
 
Alê – Muito. Para mim, isso é completamente novo. Eu venho de um exercício mais visual. Não sou um roteirista como o Luiz, que é um cara da palavra. Eu sinto muita dificuldade em escrever. Não é uma coisa que flui assim. Mas está sendo muito legal porque naturalmente foram surgindo muitos diálogos, é um filme em cima desses personagens, dessa relação entre os dois. Então, estou muito feliz com o resultado do roteiro.
 
P- Esses meninos do filme têm que idade?
 
Alê – Uns 7 ou 8 anos.
 
P- Como é falar de temáticas tão sérias e abordar públicos infantis e adultos ao mesmo tempo?
 
Alê – Eu nunca penso no público quando estou fazendo meus filmes. O Menino ... saiu como saiu. Até a primeira sessão que a gente fez, a gente não sabia para quem era o filme. E foi uma descoberta muito incrível, muito legal descobrir que ele estava comunicando com todo mundo. Estimula muito o debate depois da sessão, entre pais e filhos, crianças e adultos. Vi muitas avós conversando com as crianças depois da sessão. Recebi muitos e-mails de retorno. O Luiz tem um filme um pouco mais adulto.
 
Bolognesi – Eu também não defino filme pelo público. Primeiro eu tenho uma história que eu quero contar e sou muito crítico comigo mesmo, se essa história interessa para os outros. Esse é meu principal recorte inicial. Aí depois, evidentemente, eu pergunto – para quem é esse filme? Quando eu estava fazendo Uma História de amor e fúria (imagem ao lado), pelas cenas violentas eu sabia que não era um filme infantil. Mas a culpa de ele não ser um filme infantil não é minha. Se a história do Brasil não fosse tão violenta, o filme seria para o público infantil. Não dá para falar da história do Brasil sem falar de violência e não dá para falar tão fortemente de violência com crianças de menos de 10 anos. Mas era para adolescentes e eu pensei sempre muito neles, como falar com eles. Eu me lembrava do meu interesse por literatura, por história, quando eu tinha essa idade, de quadrinhos – eu me inspirava muito em graphic novels de que eu, adolescente, gostava. Mas quando o filme saiu nas salas de cinema foi muito frustrante.
 
P- Por quê?
 
Bolognesi - Os espectadores não foram às salas de cinema. O filme fez muito menos público do que a gente imaginava. A gente esperava chegar a 100.000 espectadores, chegou a 35.000. E teve essa questão de que os exibidores entenderam que o filme era infantil e o programaram só nas sessões da tarde e quase não punham nas sessões da noite. Morri de tentar, ligar para todo mundo, mas não havia maneira. Não entendiam que uma animação poderia passar à noite. Por mais que a gente falasse, não abriam o canal. Então, num primeiro momento, foi um gosto ruim. Mas mudou muito a relação do cinema com o público. A primeira janela, a do cinema, é importante, de valorização, que toca o público formador de opinião, a que os críticos e jornalistas dão visibilidade. Mas onde esses filmes autorais vão ser mesmo vistos é nas próximas janelas, TV aberta, TV a cabo. E aí o filme encontrou o público adolescente e está virando, quase três anos depois, quase um cult de pirataria na internet, de sessões em escolas, debates. Outro dia alguém postou um frame do filme com uma frase, milhares de pessoas curtiram e eu comecei a ver os compartilhamentos. Os comentários eram do tipo: “Esse é aquele filme que a gente viu, que o professor de história falou, que eu falei para você ver”. E eu percebi que o filme está rodando no universo que eu queria, que é a molecada do ensino médio. Tardiamente, fora do nosso controle econômico, a gente não está ganhando nada por isso, está muito num ambiente de internet, de torrent e exibição pirata. Mas eu como artista fico muito feliz de ver que ele está falando com esse público.    
 
P- E como é para vocês essa questão da pirataria e da internet?
 
Priscilla – A gente recebeu muita bronca: “Por que o filme não está chegando na minha cidade?”. O que nós mais queríamos era estar em todo lugar. Com o passar do tempo, circulando em festivais, mesmo antes do Oscar, o filme já tinha cerca de 40 prêmios, a gente percebeu que o sucesso do filme foi nos camelôs. Lá em São Paulo em algumas banquinhas já tinha o filme. Já havia também bastantes links na internet. Queira ou não queira, o que o público no Brasil vê é DVD, é link mesmo.
 
Alê – (O Menino e o Mundo) é um dos mais vendidos no camelô. A gente controla estatística lá (risos).  Engraçado que um dia eu fui perguntar no camelô e ele me disse: “Inclusive o diretor esteve ontem aqui”.
 
P- Isso incomoda vocês, até pelo resultado financeiro?
 
Priscilla – Acho que o país perde, num país com filmes produzidos com leis de incentivo. Poderia chegar à esfera pública, em todas as cidades...
 
Alê - O que me incomoda é a qualidade com que o filme está chegando às pessoas, porque O Menino... tem muito branco, ele estoura. Quando eu vejo uma sessão do filme que tem menos qualidade de equipamento, eu começo a suar. Porque esse filme tem muita sutileza e eu fico muito nervoso. Eu já não ia às sessões, aí eu já não frequento mais mesmo.
 
Bolognesi – O mercado é esperto. Se nós estamos perdendo dinheiro, imagina o que o Batman está perdendo. Por isso eu acho que a tendência é crescer o VOD, porque eles vão querer que as pessoas que pagam um dólar pelo DVD pirata pague para eles. Eu sinto que vai chegar lá, o barateamento do acesso ao cabo, o crescimento das pessoas que têm acesso. A indústria está demorando até mais do que eu imaginava mas ela vai encontrar uma maneira de colocar esse produto numa janela competitiva em que o cara vai pagar um ou dois dólares para ter aquele filme com mais qualidade. Eu sinto que vai caminhar para isso.
 
Alê – Tem uma ação muito legal acontecendo agora em São Paulo que é o SPCine. São as salas que estão sendo criadas nos CEUs (Centros de Educação Unificada da rede pública municipal paulistana). Isso está funcionando tão bem, despertando interesse, as sessões estão cheias, tem debates. Realmente é um novo circuito paulistano.
Priscilla – E é uma maneira de não deixar a indústria se auto-gerir. Você não pode deixar que filmes produzidos através de leis de incentivo venham competir com filmes que têm uma verba de marketing absurda.
 
P- Quais são seus projetos para TV? E como vocês lidam com os desafios do produto seriado?  
       
Alê – O que está acontecendo– acho que a Pri pode falar melhor - é que, a partir do Anima TV, a gente fez um piloto em 2009, Vivi Viravento. Agora, a Mixer em São Paulo está produzindo. Paralelamente a isto, O Menino... está se transformando em série na França. O produtor de As bicicletas de Belleville e Ernest & Celestine (Didier Brunner) viu o filme e nos procurou com esse interesse. O piloto já está pronto, está em andamento.
 
Priscilla – A Vivi Viravento é uma série bem com essa pegada autoral, é muito diferente na forma. Está sendo um grande desafio porque ao mesmo tempo você sabe que, na TV, vai brigar por audiência. Ela traz um monte de questões sobre poesia, é uma menina que viaja pelo mundo através das colagens de fotos que ela vai fazendo num caderno, num diário. Por fim ela mergulha nesse diário e em cada episódio ela vai para um lugar diferente. É difícil porque o tempo para se produzir é muito curto, a maneira como se viabiliza essas produções é super-pulverizada. É minha primeira experiência com direção e está sendo bem puxado. É muito corrido, são muitas horas de trabalho por dia. Tem pessoas que enviam seus trabalhos, uma parte da equipe é free lancer. A base da direção de arte está na Mixer em Sã Paulo mas tem o estúdio de animação no Rio de Janeiro. E é bem nesse momento da profissionalização da animação no Brasil.
 
P- Qual o tamanho dessa série?
 
Priscilla - Nessa primeira temporada são 26 episódios de 11 minutos. Vai passar na Discovery Kids e TV Cultura.
 
P- Vocês têm algum receio de que a essência da história se perca, por serem vários episódios?
 
Priscilla – Como o piloto é de 2009, já tinha passado por várias mãos. Acabou a produção ficando inteira no Brasil e a gente teve tempo de digerir, de observar até com distanciamento, por conta desses anos que passaram, que algumas coisas eram realmente muito herméticas ali. A gente precisava deixar mais fácil porque você tem vários tipos de criança assistindo no país e não só no país, porque o Discovery é Latin America. E aí eu acho que a gente conseguiu chegar a coisas que são bem comuns no universo da criança, como a repetição. A gente tentou deixar um chão maior para que a criança possa atuar mais nessa parte da fantasia, do lirismo da série. Então, já não estou mais com esse medo agora.
 
P- Falando em mercado internacional, nenhum desses grandes estúdios tentou contratar vocês?
 
Alê – Eu tive alguns contatos naquele momento do Oscar, nas festas em Los Angeles, com convites não para trabalhar, mas para passar para conhecer. O John Lasseter, da Pixar, por exemplo. Ele me pediu meu cartão para a gente se falar e eu não tenho cartão. Daí peguei um guardanapo, desenhei o Menino e escrevi lá meu e-mail. Eu pedi o cartão dele e ele pegou outro guardanapo, desenhou o Buzz Lightyear e me deu. E me disse: “Te espero este ano para a gente conversar”. Trocamos guardanapos de visita. (risos)
 
Tem outro estúdio em Londres que está formando um núcleo para produzir filmes no caminho da Pixar, da Dreamworks. Mas eu não me vejo nessas produções. A não ser que haja espaço para exercitar o meu trabalho. Se toda essa máquina se colocar à disposição, claro, não tem porque não. Mas acho que o mais legal que está surgindo neste momento são essas possibilidades de coprodução, tanto para o Viajantes do Bosque Encantado quanto para o Imortais, com roteiro do Luiz, que é um campo que acho que a gente vai levar adiante. Se der tudo certo, acho que são parceiros eternos. Mesmo na Europa, a animação independente é feita muito dessas coproduções. Esse estúdio de Luxemburgo foi coprodutor do Song of the Sea, do Ernest & Celestine, está com Breadwinner agora. Eles estão aguardando o final de Breadwinner para colocar à nossa disposição essa mesma equipe para Viajantes. Isso é uma coisa que eu nunca tive, uma equipe de 50 pessoas para fazer teste, vamos brincar. É um momento muito especial para a gente.
                      

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