Entrevistas

Kleber Mendonça fala de seu filme, "Aquarius", concorrente em Cannes

Publicado em 14/04/16 às 22h07

Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge
 
 
Aos 48 anos, o jornalista e cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho recebeu ontem a honrosa e cobiçada missão de colocar o Brasil novamente no grid de largada da mais tradicional, prestigiada e, por que não, mítica mostra de cinema do mundo. Ao selecionar seu segundo longa, Aquarius, depois do sucesso internacional do filme de estreia em 2013, O Som Ao Redor, o Festival de Cannes reconhece uma talentosa carreira atrás das câmeras iniciada em 1997 no curta-metragem. Desde esta época, Kleber coleciona prêmios em importantes mostras competitivas.  E paralelamente cobriu 17 edições de Cannes como repórter e crítico. Na França, conheceu Emilie Lesclaux, produtora de seus filmes, mulher e mãe de seu casal de gêmeos. Do Rio, onde está por conta da divulgação do filme, Kleber conversou com o Cineweb por telefone.
 
 Quatro anos depois de sua estreia no longa-metragem com o mundialmente aclamado “O Som ao Redor”, você emplaca a seleção oficial do mais importante festival do mundo com “Aquarius”. A pergunta óbvia seria: como se sente ? Mas pensando bem, a pergunta é: como é trazer o Brasil de volta ao centro das atenções cinéfilas mundiais ?
 
Tudo fica um pouco mais pesado, embora não exatamente estranho por conta de meu longo trabalho como crítico no festival. Claro que estou muito feliz, mas não deixa de ser assustador você estar naquela arena quase romana.
 
Em “O Som ao Redor”, há a convivência problemática com os espaços públicos e privados nas grandes cidades, uma situação de hostilidade que passa pelas relações domésticas de trabalho, entre outras questões, tudo contado com inventiva formal pouco vista no cinema brasileiro mais recente. E “Aquarius”, o que é ?
 
Aquarius é uma espécie de expansão de coisas que já fiz em outros filmes meus. É um filme sobre espaço urbano, sobre espaço pessoal, sobre mercado, história, memória, arquitetura. Acho que é um filme bem político.
 
Sonia Braga está de volta ao cinema brasileiro, pelas suas mãos. Como a escolheu para o papel principal ?
Uma noite, quando conversávamos sobre o projeto e pensávamos numa atriz para fazer a personagem principal, um dos fotógrafos do filme, Pedro Sotero, sugeriu Sonia Braga. Nenhuma contestação. Enviamos o roteiro, ela leu, amou e respondeu em 24 horas. É uma grande atriz. E uma estrela. Tive prazer e honra em trabalhar com ela, que compreendeu perfeitamente o personagem: uma mulher madura, forte, sofrida. Tinha somente admiração por ela. Agora tenho também uma pessoa amiga e querida.
 
Você é veterano de Cannes, mas durante muitos anos como jornalista. A história agora é outra. É o lado de lá da trincheira. Assusta ?
Foram quase vinte anos como jornalista. É claro que assusta um pouco sim. Você sabe bem como é aquela sala de coletivas. Vou estar na mesa lá em cima, e vocês embaixo, comigo como alvo... Recebi hoje um telefonema curioso: Christine Aimé, chefe da assessoria de imprensa e velha conhecida, ligou não para falar de credenciais, protocolo da coletiva e tal, mas só para dar os parabéns, ela que me conhece há tantos anos, não como cineasta, mas como jornalista. Isso foi muito bom.
 
Foto: Victor Juca/Divulgação

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