Entrevistas

Trio de atores do premiado “Ausência” fala sobre seu trabalho no filme

Publicado em 26/11/15 às 15h35

 
Por Alysson Oliveira
 
Em uma coisa, o trio central de atores de Ausência é unânime: “Trabalhar com Chico Teixeira é um sonho”. Matheus Fagundes, o protagonista do filme, define o diretor como “um super- parceiro para sempre”. Já Gilda Nomacce explica que, para o cineasta, “o ator é o que há de mais importante”, enquanto Irandhir Santos confessa que, desde que viu o primeiro longa de ficção do diretor, A Casa de Alice (2007), quis trabalhar com ele: “Quando ele me ligou, eu mesmo já tinha me convidado”.
 
Essa admiração e carinho dos atores por Teixeira parece transparecer em suas interpretações densas e sinceras. Fagundes, em seu primeiro longa, foi escolhido num teste e não se intimidou com o peso de ser protagonista. “É o sonho de todo ator. Todos os papeis são importantes, mas ser protagonista aos 16 anos é inesquecível em aprendizado”. Ele interpreta Serginho, jovem abandonado pelo pai depois da separação da mãe (Gilda), que tenta se encontrar no mundo e, sem receber muita atenção dela, acaba se tornando amigo de um professor (Irandhir), com quem desenvolve uma relação um tanto ambígua.
 
O jovem ator conta que a preparação, sob a tutela de Fátima Toledo, ajudou não apenas a encontrar seu personagem, como a criar vínculos com Gilda e Irandhir. “Foi uma relação muito bacana, de troca dentro e fora do set. Foi um aprendizado profissional e pessoal”. Por esse trabalho, Fagundes foi premiado no Festival do Rio 2014. “É um dos melhores momentos da minha vida ser reconhecido pelo trabalho”, comenta.
 
Gilda também passou por um teste, mas conta que foi bem diferente dos outros. “Não foi um teste, foi uma experiência por duas horas. Foi uma forma de ir se apropriando da personagem e também deixar que ela aflorasse”. A atriz descorda daqueles que criticam a mãe que ela interpreta, uma mulher frágil e até certo ponto negligente. “Ela me emociona profundamente. Ela é uma criança desprotegida que gera dó. As pessoas acham que só porque viramos adultos temos de dar conta de tudo. E não é assim”.
 
Nesse sentido, a atriz conta que Teixeira foi “amparador” no set. “O fato de tê-lo ao meu lado me deu suporte e segurança para ‘estar desamparada’ em cena”. Gilda é mais conhecida por seus papeis cômicos – como em Quando Eu Era Vivo – mas aqui entra num tipo dramático e tenso. “Eu tento achar graça no desespero, tem sempre esse lugar onde a gente não sabe se ri ou se não ri. No caso dessa personagem, é um lugar onde não tem graça nenhuma. É uma personagem que não tem um respiro, é tudo aridez”.
 
O personagem de Irandhir, por outro lado, é o contraponto a essa mãe, de quem Serginho tenta se aproximar, sem saber ao certo como lidar com essa amizade. “A preparação me ajudou muito a encontrar essa figura. Construímos muitas cenas em cima dos ensaios, já feitas no cenário onde seriam rodadas”. Mas, apesar de toda a preparação, havia um elemento-surpresa em boa parte delas: uma cachorrinha que pertence ao personagem. “A gente precisava estar preparado para reagir ao que ela fizesse, porque era imprevisível”.
 
Já em Fagundes, com quem divide todas as cenas, Irandhir encontrou uma empolgação bem parecida com a sua própria. “Ele tem força e gana, e um frescor da juventude, algo que eu chamo de ‘vontade primeira’, que não te deixa descansar”, elogia.
 
Com mais de 20 filmes em seu currículo, Irandhir considera que todas as suas escolhas foram muito acertadas. “Todos os trabalhos fizeram diferença na minha vida. Um dos grandes exercícios do artista é a escolha. É ela quem vai determinar qual artista e qual pessoa você é”.

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