Entrevistas

MOSTRA 2013: Equipe de “Run & Jump” fala sobre as escolhas que dão leveza ao drama

Por Nayara Reynaud

Publicado em 28/10/13 s 14h16

Nayara Reynaud
Com uma boa votação do público da Mostra, Run & Jump (2013) é um dos 13 filmes de ficção selecionados para a Competição Novos Diretores, que será avaliada pelo júri. Os espectadores foram conquistados pela história da família irlandesa que tenta reconstruir a sua vida após o derrame de Conor, mas percebe que o marido e pai nunca mais será mais o mesmo. Enquanto isso, um neurologista norte-americano acompanha essa volta do paciente ao lar para pesquisar seu comportamento nesta situação, mas ele mesmo é afetado ao adentrar este ambiente familiar.
Em entrevista exclusiva ao Cineweb, a diretora Steph Green (à esquerda na foto) e a produtora Tamara Anguie, que já receberam uma indicação ao Oscar, em 2009, com o curta-metragem de ficção New Boy (2007), contaram sobre os desafios e escolhas da produção para fazer o drama.
 
O que veio antes: a ideia de fazer um filme sobre derrame e como a doença muda a vida de toda a família ou sobre o dilema que médicos, antropólogos, jornalistas e documentaristas têm com a aproximação na observação de seus estudos de caso?
Steph Green.: Acredito que a roteirista [Ailbhe Keogan]  foi inspirada pelas duas coisas ao mesmo tempo. Uma aconteceu na família dela; seu pai teve uma lesão cerebral. Então, ela assistiu à experiência da sua mãe, sua mudança. Não é uma história real, mas uma verdadeira inspiração para a vida dela. Aao mesmo tempo, ela estava lendo muito sobre observação antropológica, visitando povos estrangeiros. Penso que também ouviu e leu um livro sobre etnografia. Então, as duas ideias vieram juntas.
 
Foi feita uma pesquisa sobre casos similares ao de Conor?
S.G.: Sim. Nós lemos muito e tivemos três neuropsicologistas, mentores e conselheiros nos ajudando a ajustar o filme para ser completamente encenado. O modo como ele se comporta e o jeito que ele tem altos e baixos são sintomas...
Tamara Anguie.: E também, antes de ensaiarmos com os atores, levamos o ator que fez o Conor para um centro de reabilitação e ele pode ver pacientes com lesão cerebral.
 
E como foi equilibrar o tom do filme, que fica entre a melancolia e o otimismo?
S.G.: Meu desejo, com a roteirista, era contar uma história em que não haveria um final perfeito. Sem possibilidade de final feliz, porque as situações são tão complicadas, os relacionamentos são complicados e é como a vida. Nós queríamos contar uma história onde assistimos à mudança nessa família, mas não fazemos nada. É um drama e, como tudo na vida, há risadas, luz. Vanetia [a personagem] trouxe isso para a história.
 
Como e por que vocês escolheram o comediante Will Forte para um papel tão contido?
S.G.: Sim, era um ator de comédia, até agora. Mas eu assisti a várias entrevistas e trabalhos dele e eu tive um sentimento. Eu adoro fazer casting e gosto de escolher contra estereótipos. E eu realmente estava procurando algo interessante, diferente, porque queríamos que esse filme irlandês fosse notado nos Estados Unidos também. Pensei que Will era capaz disso. Ele leu o roteiro e realmente gostou. Quando o encontrei pessoalmente para falar do roteiro, senti cada vez mais: “Ele pode fazer isso”. Foi desafiante e, desde então, ele tem mais ofertas para papéis sérios, porque é capaz de fazer isso, como os atores Steve Carell, Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças...
 
O fato do curta de vocês, New Boy, ter sido indicado ao Oscar ajudou a levantar o orçamento de Run & Jump?
T.A.: O financiamento principal para Run & Jump veio através do Irish Film Board, que é um fundo nacional. E New Boy, nós fizemos com a Irish Film Board. Então o sucesso de New Boy e a Irish Film, que dá muito suporte para desenvolver os talentos irlandeses, nos ajudou a perceber: “OK, isso é o ingresso para fazer algo”. E eles adoraram o roteiro do Run & Jump. Você citou antes a capacidade da Steph de dar o tom ao mesmo tempo melancólico e risonho. Isso ajudou também a convencer outras pessoas.
 
Há uma participação alemã?
T.A.: Certo. É uma co-produção entre Irlanda e Alemanha. Há muito dinheiro do Fundo Europeu também. A participação alemã veio na pós-produção. Filmamos e editamos tudo na Irlanda, mas nosso compositor [da trilha sonora] é alemão. É um homem incrível, Sebastian Pillé. E fizemos o som e todas estas coisas na Alemanha.
E como foram as escolhas na fotografia? Porque há um tom amarelado e uma iluminação sobre os personagens no interior da casa...
 
S.G.: Tomamos essa decisão porque, às vezes, assuntos pesados podem resultar em filmes sombrios. A Irlanda pode ser um país chuvoso, mas há um esforço para contrastar isso. Por exemplo, as casas são pintadas com cores pastéis e brilhantes. Então, igualmente com o filme, quisemos esse contraste do assunto com as cores, para destacar esse aspecto da Irlanda. Além disso, o filme é muito emocional e precisávamos dos rostos muito próximos e, também, é uma casa muito pequena. Nós quisemos que a casa aparecesse de várias maneiras; por isso, tentamos usar a luz para mudar cada cômodo. Toda vez que você vê um cômodo vai ser diferente, quando seria o mesmo várias vezes, como vinte cenas na cozinha. Essa é uma das razões para fazermos isso. (...) Como é o nome do festival que entramos, para fotografia?
 
T.A.: Cameraimage, na Polônia, muito concentrado em fotografia e nós fomos selecionados [Run & Jump será exibido na mostra Panorama Europeu, fora de competição].
S.G.: Nós estamos muito felizes por estar no festival.
T.A.: E Kevin Richey tem trabalhado com Steph há muitos anos e eles têm esse incrível entendimento que você espera de todo fotógrafo e diretor. Essa colaboração de longa data também ajuda.
 
E sobre a escolha da trilha sonora?
S.G.: A personagem Vanetia [Maxine Peake]  tem um gosto musical eclético. Ela escuta diferentes coisas, nós podemos ver que tem vários CD’s. E ela é esse tipo de mulher que escolhe música baseada em seu humor. Então, para ela, a música tem a ver com o que vai passar: se ela quer dançar, é rock; se ela quer ficar pensativa, usa algo melancólico. E eu realmente gosto do piano bem simples. Algumas pessoas odeiam isso, eu gosto; penso que para algumas cenas é importante ter pouca interferência da música, só um pequeno suporte para a emoção. Mas não grande, não demais, não é esse tipo de filme. É um filme triste, por isso músicas tristes, exceto quando ela [Vanetia] põe suas músicas.
 
Há alguma previsão de lançamento e distribuição de Run & Jump no Brasil?
T.A.: Acredito que a Mostra Internacional, a distribuidora fora do festival [Filmes da Mostra], está interessada no filme e acho que será lançado logo no próximo ano, no Brasil. Então acho que está acontecendo, o que é bom! O público tem sido incrível. Nós realmente estamos curtindo estar aqui. Eu já assisti ao filme várias vezes. Quando vou às exibições, gosto de ver o público, o que tem sido muito revigorante, porque, para nós, é a primeira vez que vemos um público assistindo em outra língua, como é traduzido e como eles respondem. E tem sido muito bom!
 
E sobre os próximos trabalhos? Será um longa-metragem ou voltarão aos curtas?
T.A.: Nós temos feito um pouco de tudo. Como realizadores, queremos apenas continuar fazendo coisas. Fizemos curtas juntas, estamos tentando outro longa-metragem – mais de um longa está vindo –, fazemos comerciais de televisão juntas... Então, temos um pouco de tudo.
S.G.: Não podemos dizer nada específico, porque podemos dar falsas promessas. Então, muitas coisas estão vindo!
 
Em desenvolvimento?
T.A.: Sim, muito bom! É, às vezes, você tem de ter cuidado com o que diz. Você sabe?!















Nayara Reynaud

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