Entrevistas

“Adoro fazer filmes de diretores estreantes”, diz Lázaro Ramos

Publicado em 09/11/11 às 16h16

Se você é um estudante de cinema com planos de fazer um curta e precisa de um bom ator, procure Lázaro Ramos. Ele confessa: “Não consigo resistir a um convite para fazer um curta. Se eu estiver com tempo, eu faço”. Ele sabe que provavelmente não irá receber um pagamento pelo trabalho – mas, no futuro, dará um jeito de cobrar. “Daqui a umas décadas, quando esses curtametragistas foram famosos com seus longas, eu vou lá bater na porta deles para pedir trabalho”, brinca, em entrevista ao Cineweb.
 
Lázaro fala pausadamente e com tranquilidade de quem parece não se estressar facilmente  – ao contrário de seu personagem em Amanhã nunca mais, de Tadeu Jungle, que estreia sexta-feira.  No longa, ele é o anestesista Walter, que tem uma noite conturbada tentando chegar em casa com o bolo da festa de aniversário da filha. “É um personagem interessante. Muito diferente do que eu já havia feito, por isso me interessei”.
 
Outro ponto que ajudou a convencer ao ator foi que o diretor é estreante em longas de ficção. “Adoro fazer primeiro longa. Quando a gente chega para trabalhar com um cara que está começando, ele está cheio de energia, cheio de vontade. É algo muito estimulante”. A lista de estreantes com quem ele trabalhou incluem Karim Aïnouz (Madame Satã), Sérgio Machado (Cidade Baixa), José Henrique Fonseca (O homem do ano), Paulo Betti (Cafundó) e João Falcão (A Máquina).
 
O próprio Lázaro admite que pensa em dirigir um longa. Ele já fez um filme, para o festival de micrometragens Cel.U.Cine. Como as nuvens são... rodou em mostras e também pode ser visto na internet. Quanto ao longa, o ator confessa que ainda vai esperar um pouco . “Eu tinha um projeto, mas fazendo o programa de entrevistas [Espelho, exibido no Canal Brasil] percebi que tudo o que queria dizer estava falando na televisão. Por isso, vou esperar um pouco mais até encontrar algo realmente diferente para dirigir no cinema.”
 
Paternidade
Enquanto esse projeto não aparece, Lázaro divide seu tempo entre cinema, televisão e teatro. Há algumas semanas, estreou como diretor de uma peça. Fora isso tudo, ele conta que sua prioridade no momento é o filho de quatro meses, que teve com sua mulher, a atriz Tais Araújo. Em Amanhã nunca mais, o papel do pai e da família é bastante importante para o personagem. Lázaro rodou o longa em 2010, antes do nascimento do filho, e conta que hoje vê o filme com outros olhos. “Eu construí o protagonista em cima da minha opinião de como o via. O fato de nunca ter sido pai na época das filmagens não atrapalhou. Mas, atualmente, tenho outra relação com o filme, claro”.
 
Para se preparar para Amanhã nunca mais, Lázaro acompanhou o trabalho de um anestesista e ensaiou muito. “Foi importante, porque quando chegamos para filmar estávamos todos bem preparados”. O ator está praticamente em todas as cenas. A maioria delas foi rodada à noite, mas, segundo ele, “não foi desgastante por causa da preparação intensa”. O elenco inclui também Fernanda Machado, Maria Luisa Mendonça (que saiu premiada do Festival do Rio) e Milhem Cortaz.
 
Filme sobre Angola
No ano passado, Lázaro também rodou um filme em Portugal, O grande Kilapy, de Zezé Gamboa – uma coprodução entre diversos países de língua portuguesa sobre a independência de Angola. “É engraçado que tentamos fazer coproduções com tantos países, como EUA, Argentina, e nem damos atenção para aqueles que falam o mesmo idioma que a gente. Foi uma experiência muito gratificante. Trabalhei com atores de países como Moçambique e Cabo Verde. ” Segundo o ator, o filme está em processo de finalização e deve participar de festivais no próximo ano.
 
Recentemente, a voz de Lázaro também foi ouvida no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Ele é um dos narradores do documentário Marighella, de Isa Grispum Ferraz, que fez questão de ter o ator para ler um poema do guerrilheiro. “Minha história com a figura do Marighella é longa. Eu sou amigo da neta dele [Maria Marighella]. Há alguns anos, o Bando de Teatro do Olodum ia montar uma peça sobre ele e eu ia participar”.
 
Com mais de 20 anos de carreira, o ator soteropolitano não para de fazer planos. Sonha em montar Brecht e Nelson Rodrigues no teatro, e trabalhar com Cacá Diegues no cinema – o que deve se concretizar no próximo ano, com um longa baseado no poema O grande circo místico, de Jorge Lima.  Entre esses trabalhos, Lázaro promete encontrar tempo para fazer alguns curtas. “Afinal, preciso garantir o meu futuro”, diverte-se.
 
Alysson Oliveira
 

Outras notícias