Entrevistas

Paula Oliveira, a professora maluquinha

Publicado em 07/10/11 às 15h48

Paola Oliveira é, ao vivo, doce e inteligente, como sua personagem da novela Insensato coração, a heroína romântica Marina. Mas é também um tanto espevitada – como Cate, a protagonista de Uma professora maluquinha, que estreia nos cinemas hoje 7. A semelhança, aliás, não é apenas na personalidade. “Eu consegui a personagem quando mostraram pro Ziraldo [autor do livro] uma foto minha ao lado do desenho da personagem. Somos idênticas”, diverte-se.
 
O filme foi rodado há dois anos na cidade mineira de São Joao Del Rey, com algumas cenas feitas em estúdio. Para Paola, a maior diversão foi estar cercada de crianças o tempo todo. “Eu assumi de vez o papel de Cate e lidava com eles como a professora maluquinha.” Antes das filmagens, ela e algumas crianças conviveram por duas semanas. “Foi muito importante para estabelecermos os laços, ficarmos próximos, e para eu ganhar a confiança deles”.
 
Para criar a protagonista, Paola confessa que foi buscar lá na sua infância a lembrança de sua professora favorita, Dona Samira. “Ela não era tão maluquinha, mas foi muito importante para mim, senão não me lembraria dela até hoje”. A atriz vê no filme uma homenagem aos educadores brasileiros. “O filme mostra que existem outros métodos de ensino além dos tradicionais. A Cate é uma professora ousada. Tenho certeza de que seus alunos estão bem preparados para a vida”.
 
Prova disso é o desenhista e escritor Ziraldo, autor de Uma professora muito maluquinha, publicado em 1995, e autor do roteiro do filme. Ele conta que a história é baseada não apenas numa professora sua, mas em várias que teve ao longo da vida – uma delas em especial. “Ela não era tão genial quanto a personagem, mas a literatura é maior que a vida. Mas ela nos ensinou uma coisa muito especial: ler é mais importante do que estudar”, comenta o escritor.
 
Ziraldo confessa que Uma professora muito maluquinha não é o único roteiro que tem pronto e que espera ver outros filmes com sua assinatura em breve. “Eu adoro escrever roteiros. Escrevo só por escrever mesmo, nem penso se vão ser filmados. Um deles, aliás, eu gostaria que fosse feito pelo Marcelo Laffitte, que acabou de lançar Elvis & Madona, um filme que eu adorei”. E o escritor já adianta: “Este será um filme para adultos”.
 
O autor de Uma professora muito maluquinha faz uma pequena ponta no filme, mas admite que não é de visitar muito os sets de filmagem. “Eu sou muito de dar palpites, quero me meter em tudo. Então é melhor eu não ir atrapalhar”.
 
Os diretores do filme, André Alves Pinto e Cesar Rodrigues, explicam que manter o espírito da obra de Ziraldo no filme foi fundamental. “Nosso trabalho era não estragar a obra dele”, brinca André, sobrinho do escritor. “Não precisávamos nem fazer storyboard para planejar as cenas. Está tudo no livro”.
 
Cesar também aponta que esta não é apenas uma obra infantil: “É um filme que levanta discussão sobre métodos pedagógicos, sobre a importância da leitura e da ficção”. Os diretores esperam que os professores levem os temas do filme para a sala de aula depois da sessão, para isso também disponibilizam um material pedagógico no site do longa .
 
 
Alysson Oliveira

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