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As pontes da Mostra, entre Nelson Rodrigues e "Iracema"

Por Neusa Barbosa em 01/11/2011
A Mostra de São Paulo é, acima de tudo, um local de encontros e descobertas. Muitas, inesperadas.
 
Está sendo assim nesta 35a. edição com o cineasta canadense Atom Egoyan, que vem se mostrando um aplicado desbravador da cidade de São Paulo e da cultura brasileira. Além de fuçar ruas, livrarias, galerias de arte, museus e obviamente cinemas, ele se interessou em saber quem seria o maior dramaturgo brasileiro – o que o levou ao encontro da eleição natural de Nelson Rodrigues. Resultado: está levando na bagagem de volta uma tradução em inglês de algumas das principais peças do autor de Vestido de Noiva, Senhora dos Afogados, O beijo no asfalto e outros clássicos do teatro nacional, inspirando igualmente filmes como A Falecida, de Leon Hirzman, Toda Nudez será Castigada e O Casamento, de Arnaldo Jabor. Quem sabe Egoyan, que é diretor de teatro e de óperas, uma hora destas não monta (ou filma) um texto do Nelson...
 
Na mão contrária, veio a diretora francesa Emmanuele Demoris – autora da série de documentários Mafrouza, dissecando o cotidiano e os personagens de uma favela egípcia. Grande fã do filme Iracema – Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky, ela queria muito conhecer o diretor paulistano – e conseguiu. O motivo: os pais da diretora moraram no Brasil e apresentaram o filme a Emmanuele, um fato que marcou definitivamente sua visão da vida e do cinema.
 
Nada como o cinema para erguer essas pontes entre as pessoas. Por isso, festivais como a Mostra são tão fundamentais para todos. 

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