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Uma pequena Renascença no cinema italiano em Veneza

Por Neusa Barbosa, de Veneza em 06/09/2011
2011 está sendo um bom ano para os grandes festivais. Foi assim em Cannes e Veneza, ao menos em termos da maioria dos filmes, não está ficando atrás. A organização dos dois festivais é que é muito diferente: Cannes dá um banho! Veneza, este ano, está mais caótica do que nunca.
 
As sessões de filmes, inclusive da competição principal pelo Leão de Ouro, batem com coletivas de imprensa e exibições uns dos outros, faltam lugares para os jornalistas se sentarem para escrever com seus notebooks (problema crônico), faltam tomadas para recarregar as baterias dos notebooks (outro problema crônico), sessões atrasam... Hoje cancelaram a primeira sessão do filme-surpresa (o chinês People Mountain People Sea, de Cai Shangjun) porque deu falha geral no sistema de legendas. Lamentável num festival deste tamanho e desta idade (o mais antigo do mundo). Vamos ver se agora à noite a sessão do filme acontece sem problemas, vamos torcer.
 
Mas se é de cinema que se fala, muitas apostas se comprovaram: os novos filmes de George Clooney (Tudo pelo poder), David Cronenberg (A Dangerous Method), Steve McQueen (Shame), Andrea Arnold (O morro dos ventos uivantes) e Emmanuele Crialese (Terraferma)[foto] entusiasmaram.
 
A Itália, politicamente sufocada pela mediocridade de Berlusconi, aliás, parece estar se renovando em seus cineastas, alguns pelo menos. Crialese e o veteraníssimo Ermanno Olmi – fora de competição com o sensível Il Villaggio di Cartone – ambos abordaram a ignomínia da caça aos imigrantes ilegais que por acaso escapam de morrer afogados em suas desesperadas tentativas de entrar na Europa. Acho que dá para ser otimista de que alguma coisa está se renovando no espírito do bom e velho país da Renascença.

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