Celulóide Digital

Onde está a simplicidade?

Por Neusa Barbosa em 19/08/2011
A ideia me bateu ainda no Festival de Gramado, na semana passada: a ficção brasileira no cinema está em crise?
A julgar pela seleção de filmes nacionais da competição do festival gaúcho - País do Desejo, de Paulo Caldas; Ponto Final, de Marcelo Taranto; Riscado, de Gustavo Pizzi; e O Carteiro, de Reginaldo Faria -, dá para pensar que sim.
 
O sentimento ficou maior diante da comparação destes filmes nacionais (de ficção, bem entendido, porque os documentários em Gramado superaram em qualidade, comento outro dia) com os filmes latinos. De um modo ou de outro, porque se trata de filmes bem diferentes, me encantou a simplicidade e eficiência narrativa do argentino Medianeras (do estreante Gustavo Taretto); La Lección de Pintura, do veterano chileno Pablo Perelman; A Tiro de Piedra, de outro estreante, o mexicano Sebastian Hiriart; e do dominicano Jean Gentil, da dupla Laura Guzmán e Israel Cárdenas.
 
Tenho reservas, mas ainda assim, reconheço qualidades em Garcia, do colombiano Jose Luis Rugeles (uma coprodução com o Brasil) e Las Malas Intenciones, de Rosario Garcia Montero (Peru).
 
Entre os filmes fora de competição em Gramado, certamente, havia razões para uma animação maior. Os filmes de abertura e encerramento, por exemplo. O Palhaço, de Selton Mello (que foi premiado em Paulínia) e Sudoeste, do estreante carioca Eduardo Simões, me encantaram, cada um a seu modo.
 
Na Mostra Panorâmica de Gramado (que traz filmes que circularam em outros festivais), havia coisas boas. O Senhor do Labirinto, por exemplo, onde cintila o talento de Flávio Bauraqui, encarnando com toda a dor e grandeza o artista Artur Bispo do Rosário. Um ator que carrega um filme, secundado pelo igualmente brilhante Irandhir Santos.
 
Resolvi deixar Gramado de lado (afinal, ficaram de fora da seleção 98 filmes que a gente não sabe como seriam). Uma rápida olhada pelas estreias brasileiras no circuito comercial me deu outras informações. Das 47 estreias que computei este ano, pra mim passaram no teste de qualidade estas ficções: Bróder, de Jeferson De; Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini; Vips, de Tonico Mello; Estamos juntos, de Toni Venturi; Transeunte, de Eryk Rocha; Ex isto, de Cao Guimarães.
 
Ufa, me animei mais. Há esperanças. E o segundo semestre está apenas começando.

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Comentários:
  • 22/08/2011 - 18h04 - Por abel NEUSA como vc pÔde falar isso com as produções atingindo um publico taõ grande hoje, apesar que dos filmes desse ultimo ano poucas foram as produções nacionais ficcionais, realmente boas, mas quem sabe falta mais empenho dos novos estudantes de cinema, que ainda naõ tem oportunidade de mostra sua arte, porque mesmo com a retomada e a ecÔnomia em bom sinal naõ se vÊ tanto jovens talentos no cinema, vc lembra dos famosos e os duendes da morte, antes que o mundo acabe,até um filme que eu naõ me lembro o titulo sobre prostituiçaõ. Temos jovens talentos para melhorar a nossa ficçaõ, só naõ temos pessoas com oportunidades.
  • 22/08/2011 - 18h12 - Por Neusa Barbosa oi Abel:
    Também gosto muito de "Antes que o mundo acabe", As melhores coisas do mundo"... não será "Sonhos roubados" o filme que vc quer lembrar, sobre prostituição (desse eu também gosto).

    Podem faltar oportunidades para alguns, mas o fato que me chama a atenção é que tivemos poucas ficções realmente bacanas... Pode ser um problema com os produtores, que escolhem projetos errados; com os patrocinadores, que só apostam em coisas apelativas e/ou para grandes públicos...

    Não falta talento, não!!!!

    abs

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