Celulóide Digital

Torcendo por zebras no Oscar

Por Neusa Barbosa em 14/02/2011

Oscar chegando, assunto inevitável. Vamos lá!
 
Com as diversas premiações também se acumulando, o quadro fica mais nítido, aparentemente menos sujeito a surpresas.
 
Pouco se pode duvidar, a esta altura, da vitória de Colin Firth, Natalie Portman, Christian Bale e Melissa Leo como atores. Pelos prêmios recebidos no Sindicato de Atores dos EUA, especialmente. Os BAFTA também premiaram Firth e Natalie, reforçando a tendência.
 
Campeão de indicações no Oscar (além de grande vencedor do BAFTA), o filme britânico O Discurso do Rei, de Tom Hooper, é o grande favorito nas categorias melhor filme e diretor, por ter faturado nos sindicatos de produtores e diretores dos EUA, respectivamente.
 
Ainda assim, parece difícil imaginar que o vice-campeão das indicações, Bravura Indômita, de Joel e Ethan Coen, faça feio. Aliás, se há um competidor forte para Colin Firth, é mesmo Jeff Bridges, que incorpora um Rooster Cogburn de abalar John Wayne, excelente. Nas categorias técnicas, como fotografia (outro excelente trabalho de Roger Deakins), o filme dos Coen não deve ser esquecido.
 
Os Coen poderiam ser brindados com um Oscar de melhor direção? Por mérito, sim. Mas não seria surpresa que ele acabasse também nas mãos de David Fincher, surpreendente vencedor do BAFTA, por A rede social, um filme que, a meu ver, tem maior mérito na escolha do tema do que na forma como o radiografa.
 
A rede social também deve levar o Oscar de roteiro adaptado (Aaron Sorkin). E Christopher Nolan, o de roteiro original por A Origem – que foi esnobadíssimo nas indicações do ano.
 
Sonhar não custa e seria muito bom que a noite da premiação, dia 27, não fosse um tédio total, por se ter adivinhado previamente todos os vencedores. Eu, por exemplo, gostaria de ver algumas surpresas assim:
 
O Oscar de melhor filme ir para Bravura Indômita ou para o miúra Inverno da Alma, de Debra Granik.
 
O de melhor ator ir para Javier Bardem, por Biutiful (que também poderia vencer como melhor filme estrangeiro), e o de melhor atriz, para a jovem Jennifer Lawrence, que faz um trabalho de gente grande em Inverno da Alma. O mesmo se pode dizer da adolescente Hailee Steinfeld, que arrasa como atriz coadjuvante em Bravura Indômita – adoraria vê-la conquistar o prêmio! E também do azarão John Hawkes levar o seu de coadjuvante, pelo mesmo Inverno da Alma.
 
O roteiro adaptado também poderia ser vencido por Inverno da Alma. E o roteiro original, para o belo filme inglês Another Year, de Mike Leigh, que passou batido até do circuito dos festivais brasileiros, infelizmente.
 
Será que alguma zebra acontece?

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Comentários:
  • 18/02/2011 - 17h33 - Por abel ola neusa pra mim inverno da alma, bravura indomita, cisne negro,127horas sao os grandes filmes indicados esse ano, mas pensando bem tem tanto grande filme que foi esnobado na premiaçao, me lembro que brian de palma foi um deles, hitcock, stanley kubrick,so os que me lembro. e alguns ganharam e eu nem lembro do filme carruagens de fogo, beleza americana,gente como a gente,paciente ingles,meu primo vinny tem algum filme que levou e vc nem lembra os nomes.
  • 18/02/2011 - 20h49 - Por Dora Voce é o máximo! A melhor crítica de cinema que conheço. Concordo com tudo, exceção para roteiro original que eu torço para A Origem. Parabéns pelo site.P4
  • 21/02/2011 - 12h03 - Por Neusa Barbosa Oi Abel -
    Vc tem razão, a história do Oscar é uma história cheia de injustiças - e a gente nem lembraria todos mesmo!
    Outros vencedores a gente esquece também...Algum motivo deve haver, né?

    Dora querida, obrigada pelo carinho e os elogios. Se "A Origem" levar pelo roteiro original, eu vou achar bem justo também!

    bjs

    Neusa
  • 11/03/2011 - 21h23 - Por Ademar Neusa, deu mesmo o óbvio. Mas num mundo justo, acho que ninguém tomaria o Oscar de melhor do Javier Bardem. Não vi todos os indicados a melhor filme estrangeiro, mas também acho pouco provável que algum supere "Biutiful". Abração.
  • 12/03/2011 - 12h02 - Por Neusa Barbosa oi Ademar:

    Concordo com vc, o Bardem era o melhor. Um papel dilacerante, intenso, num filme excelente, que também devia ter vencido como melhor estrangeiro, na minha opinião.

    Mas o Oscar não é mesmo "um mundo justo", como vc bem diz.

    abração!

    Neusa
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