Letras e fotogramas

Essa nossa juventude

Por Alysson Oliveira em 25/03/2010
 
Em 2005, a cineasta Laís Bodanzki dirigiu no teatro Essa nossa juventude. O texto, do norte-americano Kenneth Lonergan, trazia em cena um trio de jovens prestes a ingressar na vida adulta. No próximo mês, a diretora lança seu terceiro longa, As melhores coisas do mundo – que poderia muito bem pegar emprestado o título da peça de Lonergan. (Além de trazer no elenco, em dois papéis coadjuvantes, Gustavo Machado e Paulo Vilhena, que também estavam na peça.)
 
Uma das primeiras coisas que chamam a atenção em As melhores coisas do mundo é como o filme mostra jovens de verdade – em oposição à ‘jovens das novelas e programas de televisão’. Ou seja, adolescentes como aqueles que a gente vê nas portas das escolas, nos metrôs, pelas ruas. Mas também não é só. Laís conta com um elenco estreante que dá um verdadeiro show – especialmente o protagonista Francisco Miguez, e a atriz que interpreta sua melhor amiga, Gabriela Rocha.
 
O roteiro, assinado por Luis Bolognesi – parceiro na vida e de trabalho de Laís – é inspirado numa série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto. É interessante, como as coisas acontecem na escola onde os personagens estudam. Todos, mais cedo ou mais tarde, são vítimas de zombaria dos colegas, ou, como os americanos chamam, o bullying. Uma aluna é zombada porque acham que ela é homossexual. Mais tarde, uma foto de outra menina seminua é enviada de celular a celular. E por aí vai. Nem o protagonista, Mano, passa incólume.
 
Os personagens de As melhores coisas do mundo descobrem – como todo mundo – a duras penas que crescer é um processo complicado e, não poucas vezes, até doloroso. Mas talvez é nisso que reside a beleza da vida, em sofrer, cair, dar a volta por cima, sair do problema fortalecido e tocar em frente.
 
As melhores coisas do mundo tem previsão de estreia para 16 de abril, mas antes disso abrirá o Festival de Melhores Filmes do Ano, no CineSESC, numa sessão para convidados. Tomara que seja um filme que leva muita discussão sobre a nossa juventude, tanto para dentro das escolas como para as famílias.

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