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50o. Festival de Brasília coloca a crítica em discussão

Por Neusa Barbosa, de Brasília em 20/09/2017
Brasília – Entre as inúmeras atividades deste 50º Festival de Brasília, participei de duas mesas de discussão, uma sobre o Elviras, coletivo de mulheres críticas fundado aqui na capital da República há exatamente um ano, e outro sobre a crítica em tempos mais do que digitais.
 
No caso do Elviras, a sensação é de sucesso, afinal, hoje somos mais de 100 mulheres associadas num coletivo que, em todo o País, encoraja as moças a botarem sua cara e assinarem seus textos e reflexões sobre cinema. Deu para perceber que um trecho importante desse caminho foi trilhado, mas que ainda falta muito para fazer. Afinal, apesar do esforço, cerca de 74% de nós estamos concentradas no eixo do Sudeste (SP, RJ e MG), mais de 60% somos brancas e apenas 18% exercem a crítica com algum tipo de remuneração.
 
Então, continuamos no esforço de atuar mais positivamente na difusão de um desejo de camadas ditas periféricas de se lançaram à tarefa crítica, como de poder contribuir de todos os modos na formação, legitimação e acesso dessas pessoas à cultura e à informação.
 
Afinal, o mais importante é continuarmos lutando para encontrar formas para que olhares alternativos aos hoje dominantes na grande mídia possam se expressar.
 
Preocupações desse tipo e de outra ordem percorreram também o debate da crítica em geral, em que pudemos notar a ausência de youtubbers entre os 50 jornalistas credenciados para cobrir o festival este ano. Num debate em que a gente discutia justamente como a critica se desenvolve nos meios digitais, essa ausência foi particularmente sentida. Até porque o que se quer é somar, não dividir. Já chega a incompreensão que cercou a crítica quando a internet começou, vítima do preconceito de muitos, como se o suporte do papel legitimasse tudo.
 
Cerca de 18 anos depois do advento da internet, é lamentável que ainda haja tantos obstáculos a essa discussão. Muito feliz a iniciativa do festival de abrir espaço para isso, ainda mais porque, como acontece na vida, a gente tem mais perguntas do que respostas. Mas não se pode abrir mão de procurá-las, senão, nada acontece. 

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