Celulóide Digital

A guerra de cada um

Por Neusa Barbosa em 05/02/2010

Dois filmes de uma guerra que ainda não acabou, a do Iraque, mobilizam emoções no Oscar deste ano. Um deles é o campeão de indicações Guerra do Terror, de Kathryn Bigelow – que disputa 9 estatuetas, mesmo número de Avatar, de James Cameron (aliás, outro filme de guerra, só que interplanetária).

 
O outro filme sobre o Iraque é O Mensageiro, do estreante Oren Moverman (corroteirista de Não Estou Lá), que ganhou indicações para o ator coadjuvante (Woody Harrelson) e o roteiro original (de Moverman e Alessandro Camon, que já tinha vencido um Leão de Prata no Festival de Berlim em 2009).
 
Chama a atenção – no bom sentido - que os dois filmes sobre o Iraque deixem de lado o patriotismo ufanista e exponham o lado mais obscuro do combate. Guerra ao Terror retrata os soldados norte-americanos como insanos ou perdidos numa verdadeira arapuca infernal, onde eles têm poucas opções exceto a desumanização acelerada.
 
O Mensageiro focaliza a terrível missão de dois oficiais (Woody Harrelson e Ben Foster) de dar a notícia da morte de militares em missão no Iraque para seus familiares. Difícil pensar num trabalho pior e que, além do mais, torna-os vulneráveis às compreensíveis explosões de dor e de ira de pais, mães, viúvas.
 
Cada um à sua maneira, os dois filmes colocam o dedo na ferida e induzem os americanos a pensar: “Afinal o que é que estamos fazendo naquele lugar?”. Não são os melhores filmes de guerra já feitos, nem tão originais – mas esse é o tipo do assunto que mobiliza mais os críticos. Para o público dos EUA, talvez eles estejam o mais próximo possível daquilo que Corações e Mentes (74) ou Apocalypse Now (79) representaram em relação à má consciência sobre a guerra do Vietnã. Trágico mesmo é que esta mensagem antibélica tenha que se atualizar com tanta frequência.

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