Celulóide Digital

Woody Allen aos 80

Por Neusa Barbosa em 01/12/2015
Woody Allen faz 80 anos. Nem ele mesmo talvez achava que iria tão longe na vida e na carreira cinematográfica, que já emplacou 50 anos - a primeira investida, o roteiro original da comédia Que é que há, gatinha? de 1965. Ele continua firme e forte. E, o que é melhor, com público.
 
A rigor, ele pode não ser um gênio, nem um desbravador de caminhos ou um esteta, mas é um sobrevivente, sem dúvida, inclusive das próprias crises, que continua conseguindo exercer seu meio de expressão despreocupado dos modismos – coisa que não é para qualquer um, especialmente para os desprovidos de criatividade ou imaginação. E também sem se poder acusá-lo de passadista, embora certos temas, é claro, passem longe de seus filmes. Ele simplesmente ignora as redes sociais e outros fenômenos obsessivos da modernidade. Meio que paira sobre eles, falando de outras coisas que permanecem, a natureza humana acima de tudo, explorada sempre pelo filtro da ironia.
 
E quando se pensa que já disse tudo, Woody surpreende com um trabalho de beleza poética como Meia-noite em Paris (2011), ou da densidade psicológica de um Blue Jasmine (2013) ou Homem Irracional (2014), dois títulos em que o diretor exerceu uma faceta mais sombria.
 
Enfim, parece que Woody vai ficar no posto dos diretores velhinhos e criativos, o panteão onde reinaram até pouquíssimo tempo os sublimes Manoel de Oliveira e Alain Resnais. Woody ocupava nesta trinca o lugar do palhaço e parece que vai rir por último, inclusive das previsões que, ano após ano, o dão por acabado.
 
Parabéns Woody!!!

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