Celulóide Digital

Quando protesto pode virar intolerância

Por Neusa Barbosa, de Brasília em 20/09/2015
 Como se esperava, Cláudio Assis foi fragorosamente vaiado ao vir apresentar seu novo filme, “Big Jato”, no Festival de Brasília. Vaiado a ponto de não conseguir falar. Está certo isso?
 
Minha impressão é de que o lamentável episódio em que Cláudio e Lírio Ferreira, dois diretores queridos e respeitados por seu trabalho, impediram o andamento de um debate de sua colega e amiga, Anna Muylaert, sobre seu filme “Que horas ela volta” – que já rendeu muito nas redes sociais – se esgotou.
 
Os dois se desculparam publicamente. Foram punidos pela Fundação Joaquim Nabuco, onde se desenrolou o fatídico debate. O que se deve querer mais? Autoflagelação em público? Banimento? Ora, vamos com calma. Está na hora de seguir adiante, falar de outra coisa. Se for o caso, protestar novamente, mas só se algum deles, ou outra pessoa qualquer, for reincidente numa atitude imprópria. O machismo, como se sabe, está entranhado na cultura mundial e tão cedo não vai acabar. Vamos guardar nossas armas para lutas melhores.
 
O “tribunal da internet”, como já disse alguém, por vezes é implacável demais. Julga, executa, sataniza, não dá chance a defesas e nunca absolve. Isto também é intolerância.

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