Celulóide Digital

Globo de Ouro prepara caminho de Cameron

Por Neusa Barbosa em 18/01/2010

Não deu outra – o Globo de Ouro não teve, assim, nenhuma grande novidade. Avatar, de James Cameron, saiu com os dois troféus que mais interessam a qualquer concorrente – melhor filme/drama e diretor. Assim, ficou mais credenciado do que nunca a chegar ao Oscar. O que ninguém duvida que fará.
 
O grande perdedor foi mesmo o bom drama Amor sem Escalas, de Jason Reitman - estreia desta sexta (22) no Brasil -, que foi o campeão de indicações (6) e só ficou com um troféu, roteiro, que normalmente é considerado ‘consolação’ – o que é puro preconceito, porque é importantíssimo. Pior foi Kathryn Bigelow, cujo prestigiado e premiado Guerra ao Terror não levou nenhuma de suas 3 indicações (filme, direção, roteiro).
 
Outro que tinha sido bem indicado, o musical Nine, de Rob Marshall, também saiu de mãos vazias. Nas bilheterias norte-americanas, igualmente não teve o desempenho esperado. Parece praga de Fellini (o filme se baseia no clássico do diretor italiano, Oito e ½).
 
Não dá ainda para ter uma idéia da justiça dos prêmios atribuídos aos melhores atores dramáticos, Jeff Bridges e Sandra Bullock, cujos filmes – respectivamente, Crazy Heart e The Blind Side, não chegaram às telas brasileiras. Pelo passado dos dois intérpretes, pode-se dar um crédito, porém.
 
A melhor comédia foi mesmo Se Beber Não Case, de Todd Phillips, que, desde a estreia, tem tido um desempenho acima da média. Já os atores vencedores nesta categoria tem históricos bem diferentes. Robert Downey Jr., ganhador por Sherlock Holmes, está na melhor fase de uma carreira que quase foi destruída pelas drogas. E a veteraníssima Meryl Streep, que concorria consigo mesma por Simplesmente Complicado (que estreia em fevereiro no Brasil), reinventa-se mais uma vez como a gourmet e chef de cuisine Julia Child, em Julie & Julia, pelo qual venceu.Um filme a que faltam conflitos, originalidade e ousadia, mas tem o presente da saborosa (sem trocadilho) interpretação de Streep, gordinha e de voz rouca, muito engraçada.
 
Nos coadjuvantes, nenhuma surpresa na premiação do austríaco Christoph Waltz, o nazista-mor de Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, e Mo’Nique, a mãe-megera da protagonista do drama Precious (ainda inédito no Brasil).
 
Justiça seja feita – foi espetacular a premiação de A Fita Branca, o magnífico novo trabalho do austríaco Michael Haneke, que venceu a Palma de Ouro em Cannes 2009, numa premiação que costuma ser mais ligeira, como o Globo de Ouro. Havia três outros bons filmes concorrendo – o espanhol Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar; o francês O Profeta, de Jacques Audiard (ainda inédito no Brasil, mas que tem distribuição garantida) e o drama chileno La Nana, que passou no Festival Latino de São Paulo. Só destoava mesmo a melosa produção italiana Baaría, de Giuseppe Tornatore – tanto Tornatore, quanto o cinema italiano já viveram dias muito melhores...

Comente
Comentários:
  • 19/01/2010 - 15h46 - Por João Pedro Teles Adorei a experiência de assistir Avatar em 3D, mas não acho merecida a premiação. Pena que aqui em São José dos Campos alguns bons candidatos nem sequer tem data prevista para estreia.
    Parabéns pelo Blog, ainda não conhecia. Assim como os outros alunos da oficina de crítica de cinema do Sesc, torço para seu breve retorno à nossa cidade. Abraços!
  • 19/01/2010 - 22h20 - Por Neusa Barbosa Olá João: legal ter notícias suas! O blog, na verdade, foi criado há pouco tempo.
    Quanto à premiação de Avatar, não sei se merece, também. Há outros filmes bem melhores nesta temporada, que começam a estrear por aqui.
    Espero que abra uma sala de arte bacana aí em S. José, já que existe um público inteligente como vocês aí da oficina.
    Também espero voltar a qualquer hora,

    abs

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança