Celulóide Digital

O rei da delicadeza

Por Neusa Barbosa em 11/01/2010

O ano mal começou e o cinema já registra uma perda enorme. Eric Rohmer morreu, 3 meses antes de completar 90 anos. Era o mais velho da turma da Nouvelle Vague, aquela histórica geração de diretores franceses que veio do jornalismo – a crítica de cinema, na lendária Cahiers du Cinéma -, ao lado de François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Jacques Rivette
 
Desses todos, o que lhe era mais próximo em espírito era François Truffaut. Como ele, Rohmer sempre foi capaz de falar da delicadeza sendo delicado e das coisas mais banais sem banalizar nenhuma delas. Seus personagens podiam falar tanto sobre filosofia quanto sobre o fumo, passando de um assunto a outro com a naturalidade da vida real – só que com a poesia toda própria do cinema, como acontece em Minha Noite com Ela (69).
 
O adorável quarteto dos Contos das Quatro Estações, dos anos 90, foi um dos maiores sucessos do finado Top Cine, em São Paulo – provando que nem só  blockbusters da era 3 D capturam a imaginação do público e provocam filas na porta das salas.
 
Horóscopo (O Signo de Leão), férias de verão (Pauline na praia), trabalho (A Carreira de Suzanne), Rohmer esteve aí para provar que as pessoas comuns têm seu encanto. Embora soubesse abordar temas mais espinhosos e exibir uma visão até meio aristocrática da Revolução Francesa, como em A Inglesa e o Duque (2001) – sua primeira experiência com o digital.
 
Rohmer sempre foi moderno. Desde já, está fazendo uma falta imensa, que o relançamento de todos os seus filmes, em cinema e DVD, podem ajudar a aplacar. Tomara que os exibidores e distribuidores estejam atentos.

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