Letras e fotogramas

A Educação de Nick Hornby

Por Alysson Oliveira em 11/02/2010

Nick Hornby deve ser um sujeito legal. A julgar pelas fotos dele que se encontra no Google, entrevistas no youtube e por seus livros deve ser legal tê-lo como amigo. Ele tem 50 e poucos anos, uma dúzia de livros publicados, que se tornaram referência pop, e só agora escreveu um roteiro para o cinema – embora seus romances tenham rendido bons filmes, como Alta Fidelidade.
 
Educação é o primeiro roteiro de Nick (ele parece ser um sujeito tão legal que talvez não se incomode de ser tratado pelo primeiro nome) e já lhe rendeu indicações ao Oscar e BAFTA, entre outros prêmios. O roteiro é baseado no livro de memórias da jornalista inglesa Lynn Barber (que nessa matéria no jornal inglês The Guardian conta um pouco sobre a experiência retratada no filme).
 
Uma das coisas que mais me chama a atenção no filme é como Educação consegue ser feminista sem ser panfletário. Não é um ‘filme de mensagem’ e ainda assim mostra como uma garota pode tropeçar, cair, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O filme parece falar muito honestamente do universo feminino. O mais curioso é que o roteiro foi escrito por um homem – que parece entender bem a alma feminina. A maioria dos livros de Hornby é sobre o universo masculino – mas meu preferido, Como Ser Legal, é narrado por uma mulher (aliás, quando alguém vai levar esse livro para o cinema??).
 
A outra coisa que é uma grata surpresa em Educação é a atriz Carey Mulligan, que já havia feito pequenos papéis em outros filmes, como Inimigos Públicos, e foi uma das irmãs Bennet, na adaptação de Orgulho e Preconceito. Agora, como protagonista, ela é o corpo e a alma do filme. Dez anos mais velha do que sua personagem, ela é capaz de, ainda assim, transmitir todo o vigor e o frescor das descobertas pelas quais Jenny passa. Aliás, pensando bem, Carey seria a escolha mais acertada para a protagonista de Como ser legal, no cinema.

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