Letras e fotogramas

O mundo dá muitas voltas

Por Alysson Oliveira em 03/02/2010

No ano passado, saiu nos Estados Unidos o romance Let the great world spin [algo como ‘Que o grande mundo gire’], que tem como ponto de partida para as diversas tramas o dia 24 de agosto de 1974, quando o francês Philippe Petit andou sobre um fio esticado entre as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, que na época não estava nem pronto. A saga do rapaz já foi tema do premiado documentário O Equilibrista – disponível em DVD -, mas, aqui, é apenas o começo e o elo de ligação de diversas histórias criadas pelo irlandês Colum McCann.
 
O livro recebeu um dos principais prêmios literários nos Estados Unidos em 2009, o National Book Award, e é uma das apostas para o Prêmio Pulitzer, na categoria ficção, que será anunciado em abril. A tradução está prometida para ser lançada no Brasil ainda esse ano, pela editora Record. O escritor mora nos Estados Unidos e, mesmo com a ação situada há mais de duas décadas, há em sua trama uma forte ressonância dos atentados de 11 de setembro de 2001.
 
Como bem disse um crítico no jornal The New York Times, o feito de Petit em Let the great world spin é ‘mais uma marca cultural e um conceito literário’ dentro do romance do que a razão de ser do livro, ou mesmo da narrativa. O que realmente interessa a McCann são as vidas das pessoas que estão lá embaixo olhando para os passos calculados do equilibrista a mais de 100 andares de altura.
 
As conexões entre os personagens são sutis. Um grupo de mulheres cujos filhos morreram no Vietnã se reúnem para superar a sua dor. Uma delas viu o equilibrista, e ele se torna um dos assuntos da reunião. Outras pessoas, por exemplo, estão ligadas a esse grupo, sem necessariamente, ter qualquer relação com o feito de Petit. Enfim, o autor explora uma teia humana ligada por fios muito finos da emoção e do sentimento.
 
Muita gente saúda Let the great world spin como o Fogueira das Vaidades do século XXI. Mas, ao invés do cinismo do livro de Tom Wolfe, um clássico sobre a Nova York da década de 1980, esse romance traz um conforto, um sinal de esperança. O olhar estrangeiro do escritor também permite observar a cidade sem qualquer laço nostálgico ou sentimentalóide.
 
O título, como é explicado numa nota, vem de um poema de Alfred, Lord Tennyson, chamado “Locksley Hall” que, por sua vez, foi influenciado pelo “Mu’allaqt”, uma série de poemas árabes. Assim, como seu próprio romance, o título escolhido por McCann mostra uma teia de relações que convergem as mais diversas culturas, os mais diversos períodos.
 
 J. J. Abrams (Lost, Star Trek) já comprou os direitos para a adaptação para o cinema, mas seria melhor se ele apenas produzisse, afinal, seu trabalho até agora não mostra uma sensibilidade condizente com a história. Gostaria muito de alguém do calibre de, digamos, Ang Lee ou quem sabe, Lee Daniels, um nome quente depois do sucesso de Preciosa. Tenho até umas sugestões para o elenco: Meryl Streep (que receberá sua enésima indicação ao Oscar) ou Julianne Moore, para o papel de uma mulher rica cujo filho morreu no Vietnã, Robert De Niro, como o marido dela, Mo’nique, como outra mãe que chora a perda do filho na guerra, Edwad Norton, como o irlandês irmão de um padre que ajuda prostitutas do Bronx, e Amy Adams faria uma moça que se envolve num acidente de carro e conhece o irmão do padre.

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