Letras e fotogramas

A elite devassa de Beatriz Bracher

Por Alysson Oliveira em 01/04/2016

Em AZUL E DURA, Beatriz Bracher cria um retrato cínico e melancólico de uma elite devassa cujo modo de vida encerra-se em si mesma. A protagonista e narradora do romance Mariana, uma escritora que, numa viagem com os filhos adolescentes, revê seu passado, e um acidente que é serve como uma espécie de epicentro para sua percepção de mundo, e de sua posição no mundo: aquela que tudo pode.
 
Tudo em torno do acidente – se é que foi acidental – é nebuloso, e resultou na morte de uma garota com problemas mentais que vivia numa cadeira de rodas, cuidada pelo pai negligente e a mãe infeliz. O contraponto começa pelos dois mundos: o rico e glamoroso de Mariana em enfrentamento àquele seco, triste e sem perspectivas da menina e sua família, a quem a protagonista conhecia relativamente bem.
 
Em poucas páginas, e numa prosa cortante, a autora investiga o despertar de sua protagonista, que se dá conta do horror do abismo social país a partir do seu plano pessoal. Ela não sai, é claro, incólume da experiência, mas também não abre mão de sua posição privilegiada – se é que teria como.
 
Bracher é uma das autoras mais interessantes produzindo literatura no Brasil atualmente - ela também escreveu os roteiros de Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi, e O Abismo Prateado, de Karim Aïnouz. Aqui, vemos o que há de melhor em sua prosa que investiga a projeção não plano pessoal do universo social que cerca seus personagens.

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