Celulóide Digital

As mulheres que eu quero ser quando crescer

Por Neusa Barbosa em 21/10/2011
Vivemos uma época de modelos de beleza plastificados, usando toda tecnologia para tornar-nos idênticos. Uma amiga dizia, com razão, quando via um grupo de menininhas loiras, cabelos esticados: “Lá vem a clonagem humana”. E ainda não existia a chapinha japonesa...
 
Portanto, é uma delícia ver alguém se rebelar contra essa massificação e assistir a uma atriz envelhecer naturalmente, cuidando-se, é claro, mas dispensando os botox e plásticas deformadoras, que terminam por liquidar essa individualidade que torna cada um de nós únicos e especiais. Essa mulher, uma bela italiana, atende pelo nome de Isabella Fiorella Elettra Giovanna Rossellini. Ou simplesmente Isabella Rossellini.
 
Aos 59 anos, Isabella não esconde os sinais do tempo no rosto, nem nas formas do corpo – um pouco mais rechonchudas do que há alguns anos atrás, mas ainda sensuais. Ela parece uma versão latina de sua mãe, Ingrid Bergman, mas deixou para trás a sombra daquela incrível estrela sueca, conquistando pelo próprio direito e talento o seu lugar no mundo e no cinema.
É adorável ver Isabella assim, concreta, real, natural, e também sexy, confusa e instável, no papel de Mary, a esposa inquieta de Late Bloomers – O Amor não tem Fim, de Julie Gavras (uma das atrações que eu recomendo da Mostra de São Paulo).
 
Ao vê-la, não parei de pensar: por que é tão raro ver papeis femininos assim, bons, verdadeiros ? Por que as mulheres continuam, bem mais do que os homens, reféns de clichês tão limitados e preconceituosos na tela, mesmo em filmes dirigidos por mulheres, tantas vezes ?
 
Mas este filme, dirigido por uma cineasta que também deixou de lado a sombra do pai (Costa-Gavras) e conquistou seu espaço, te leva e você pode se deixar levar. É cheio de inteligência, humor, questões bem contemporâneas e uma visão sobre o envelhecimento da população do planeta que ultrapassa muito a pseudopiedade que impregna, de saída, o termo “terceira idade” – que, entre nós, te dá o lugar no metrô mas nem sempre vê com bons olhos que você continue querendo ser ativo, vivo, sensual e não queira ficar restrito a um gueto.
 
Também na tela, a não menos sexy sessentona Joanna Lumley, da série Absolutely Fabulous, que todo mundo queria ter como melhor amiga – em Late Bloomers, ela é a melhor amiga de Isabella e o seu melhor lado politizado-anarquista.  
 
Falando em beleza madura, que combina sensualidade com charme, inteligência com talento, não posso esquecer da minha outra musa, Gena Rowlands, que já passou dos 80 e continua linda e incrível. Quero ser Gena quando crescer!

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Comentários:
  • 21/10/2011 - 18h02 - Por abel neusa sem esquecer catherine deneuve,vanesa redgrave, meryl streep,michelle pfeifer e claro que não devemos esquecer susan sarandon. todas atrizes que passaram dos 50 e estão muito bem na ativa.

    obs:esqueci dame helen mirren, judy danche e maggie smith todas divas eternas.
  • 22/10/2011 - 10h20 - Por Neusa Barbosa Bem lembrado, Abel - amo todas essas!
    Mais Fanny Ardant, Marisa Tomei e uma longa, longa, interminável lista.

    bjs
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