Celulóide Digital

Cannes não quer deixar a sala de cinema morrer

Por Neusa Barbosa em 10/05/2017
O acolhimento de dois filmes da plataforma Netflix na competição principal de Cannes – The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach, e Okja, de Bong Jooh-Ho - parecia celebrar o casamento perfeito entre o festival mais badalado do mundo e as novas formas de exibição e compartilhamento de imagens.
 
A relação azedou quando a plataforma bateu o pé e negou-se a lançar os dois filmes em salas de cinema na França – o que gerou um boato de que seriam retirados da competição, desmentido hoje pela assessoria de imprensa do festival. Os dois continuam, podem até ser premiados – se a coisa toda não gerar uma má vontade entre os jurados -, mas vai ficar por isso mesmo. O regulamento do festival foi mudado mas apenas para 2018 – sem lançamento em salas, nada de aproveitar o tapete vermelho da Riviera para pré-lançamento de filmes.
 
Não é coisa simples. Cannes, entrando na sua 70ª. edição, representa a indústria do cinema, especialmente o francês que, como todo mundo, não vê com bons olhos a concorrência ianque, ainda mais correndo em faixa própria. Todo mundo quer faturar um naco dos lucros e, na plataforma digital, só eles ganham. De repente, foi uma tardia e inesperada declaração de amor pela boa e velha sala de cinema, que Cannes não quer deixar morrer. Ainda bem.

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Comentários:
  • 19/05/2017 - 20h18 - Por luiz gomes norberto Não vejo seu diário de Cannes 2017, não tem?
  • 23/05/2017 - 14h35 - Por Neusa Barbosa Oi Luiz, infelizmente este ano não pude ir!
    Ano que vem voltaremos.
    abraços e obrigada pelo interesse,
    Neusa
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