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Quem vai rir por último, Cameron ou Bigelow?

Por Neusa Barbosa em 31/01/2010

Na corrida pelos principais prêmios do cinema norte-americano das últimas semanas, cujo pico está nas indicações ao Oscar, a serem conhecidas na próxima terça (2), uma acirrada disputa entre um ex-casal está chamando a atenção. James Cameron está levando muitos prêmios (e dinheiro) com Avatar, mas sua ex-, Kathryn Bigelow, está ficando com os melhores para o seu drama bélico, Guerra ao Terror.
 
Ela acaba de tornar-se a primeira mulher a vencer o cobiçado troféu do Sindicato dos Diretores da América – uma premiação que, desde 1948, só não coincidiu com o Oscar duas vezes, já que os eleitores são os mesmos tanto no Sindicato, quanto na Academia de Ciências e Artes Cinematográficas.
 
La Bigelow ganhou também outro desejado prêmio do Sindicato dos Produtores da América – já que ela produziu seu filme, juntamente com Greg Shapiro, Mark Boal e Nicolas Chartier, todos premiados com ela. Este é um troféu que sinaliza o de melhor filme. Se, como se espera, se repetirem as indicações no Oscar para Guerra ao Terror, quem sabe a diretora/produtora vai subir ao palco duas vezes para pegar suas estatuetas douradas, enquanto Cameron, bem, fica com o recorde de bilheteria para seu Avatar, que já está passando a marca dos US$ 2 bilhões, fora os Globos de Ouro e otras cositas más. Uns Oscar técnicos, por exemplo.
 
Engraçado é que Guerra ao Terror foi ocupando a cena como azarão. Surgiu em première no Festival de Veneza, em setembro de 2008. Competiu pelo Leão de Ouro, colheu elogios, mas não parecia que teria tanto fôlego. Foi crescendo em premiações de críticos como os de Nova York, Los Angeles, São Francisco, Kansas City e Las Vegas, além do National Board of Review – em que seu protagonista, Jeremy Renner, foi lembrado. É outro que já deve estar espanando o smoking.
 
Retratando a crescente loucura dentro de um batalhão de desmonte de bombas na interminável guerra do Iraque, Guerra ao Terror foi esnobado até por seu distribuidor brasileiro, que o lançou em DVD no ano passado e não cogitava levá-lo aos cinemas. A enxurrada de prêmios mudou o quadro. O filme está estreando no circuito brasileiro neste próximo final de semana. E também sendo relançado em DVD e até em blu-ray.
 
Não é o melhor filme de guerra que já se viu, nem a mais contundente denúncia da situação do Iraque. Redacted, de Brian de Palma, está mais gabaritado para levar essa distinção. Mas continua longe do alcance do espectador brasileiro, que só pode vê-lo em alguns festivais.  
 
 
 

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Comentários:
  • 03/02/2010 - 08h41 - Por joao moris Querida Neusinha: Antes de mais nada, parabéns pelo site repaginado, pelo blog e seus comentários. Você escreve muito bem e suas críticas leem como uma crônica gostosa...

    Só que nem sempre concordamos com os filmes, né? Não vi o filme do Sérgio Rezende, mas dizer que o claudicante "Jean Charles" e o tenebroso "A Festa da Menina Morta" teriam melhor apelo ao Oscar, não acho que teriam. E, também, que importa quem vai rir por último nessa corrida ao Oscar com esses dois filmes (Avatar e Guerra a
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