Celulóide Digital

Feliz foi Tchekhov, que não precisava de banda larga

Por Neusa Barbosa em 29/01/2010

Para alguém que edita um site, a internet é mais do que básica e fundamental, é tudo. Nem assim a gente consegue que a Net cumpra o que promete. Comprometeram-se a vir ligar a banda larga e o telefone nesta sexta-feira (29) à tarde no nosso escritório novo. Não vieram. Tinham anotado nosso telefone errado...
 
E o que a gente faz? Improvisa com um 3G, né? E espera dias melhores. Depois de uma boa bronca nossa, prometeram vir DOMINGO de manhã... Eles não tem mesmo pena dos consumidores.
 
Mas isso tudo não é desculpa pra não blogar, o que não fiz nestes últimos dias também por conta dessa mudança. Você desmonta suas mesas, seus computadores, embala seus livros e blocos de anotações. E a aparência de tudo isso, ao chegar na sala nova e vazia, é de caos absoluto. Você se sente simplesmente perdido, num planeta desconhecido. Mas não pode desanimar.
 
Boa notícia hoje só os 150 anos de nascimento de Anton Tchekhov, o incrível dramaturgo russo que morreu com apenas 44 anos, em 1904, mas deixou obras cuja sutileza e universalidade parecem crescer à medida que os anos passam. Caso de Tio Vânia, O Jardim das Cerejeiras, As Três Irmãs, no teatro, e uma imensidade de contos que a gente não cansa de reler e sempre encontra detalhes novos.
 
Não por acaso, seus textos renderam belos filmes também. Me lembro com carinho de Tio Vânia em Nova York (1994), de Louis Malle, que retrata o paralelo entre os conflitos humanos dentro da peça e na vida cotidiana dos atores daquele finalzinho do século XX – Julianne Moore, maravilhosa, estava no elenco. O tio Vânia era interpretado com muita finesse também por Wallace Shawn, um ator norte-americano que não ficou muito famoso mas que fez outro belíssimo filme com Malle, Meu Jantar com André (1981). Que era um roteiro do próprio Shawn com André Gregory, aliás, o André do título, que contracena com Shawn. Está aí outro filme que é um primor de sutileza – uma conversa numa mesa de restaurante. Só. Mas vai longe essa conversa...Tchekhov gostaria disso.

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Comentários:
  • 30/01/2010 - 17h30 - Por Michel Neusa,

    Boa sorte no novo escritório, mudar é sempre uma bagunça, mas é sinal de novos ares.

    Tio Vania é ótimo, boas lembranças tb, principalmente da Julianne Moore.
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