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Em Cannes, glamour só no salto

Por Neusa Barbosa, de Cannes em 21/05/2015
Em pleno século 21, custa a crer que algumas situações constrangedoras ainda aconteçam em Cannes – como barrar mulheres que compareçam às sessões de gala de sapatilhas sem salto, ainda que de strass ou materiais semelhantes. Mesmo que se trate de senhoras de mais idade, elas são obrigadas a subir no salto, senão, não entram.
 
O mico aconteceu até com uma produtora, Valeria Richter, que havia tido parte do pé amputado, e da mulher de um dos diretores que apresentaram filme aqui, o indiano Asif Kapadia (autor do documentário Senna, de 2010, que agora radiografou a cantora Amy Winehouse em Amy). Sua esposa, afinal, entrou, mas foi exceção.
 
O diretor fo festival, Thierry Frémaux, também teve que pagar mico, pedindo desculpas em público, atribuindo os incidentes a um "excesso de zelo" dos seguranças. Mas, que o protocolo existe, lá isso existe. Dá para acreditar que ele possa permanecer imune a todas as mudanças dos últimos 70 anos ? Os rapazes, é bom que se diga, também não podem esquivar-se ao inevitável smoking, ainda que à luz do dia – se a sessão for a oficial, de gala, a do tapete vermelho. Não à toa, pode-se adquirir no comércio local, por escassos 10 ou 15 euros, uma gravatinha borboleta bem mixuruca, para os convidados enganarem os porteiros. Bem-feito!
 
Mas está na hora de parar com isso. Está bem que ninguém espera que alguém de bermuda e camiseta vá assim a estas sessões. Mas um blazer, um vestido alinhado e sapatilhas, sim, por que não? O maior glamour, afinal, deve estar na tela. Não fora dela.

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