Celulóide Digital

Questão de foco no cinema brasileiro

Por Neusa Barbosa em 21/01/2010

Enquanto todo mundo fica lamentando a exclusão do brasileiro Salve Geral, de Sergio Rezende, da pré-lista do Oscar de filme estrangeiro, está faltando atentar para outras coisas.
 
É claro que é uma pena mais uma vez o Brasil estar de fora dessa disputa, mas está longe de ser o fim do mundo. São apenas cinco vagas para todos os países do planeta! É quase loteria, portanto. E os critérios desse pequeno comitê que decide esses eleitos ninguém sabe muito bem...
 
Com isto não quero dizer que Salve Geral merecia ter ficado na pré-lista – a meu ver, não devia nem mesmo ter sido indicado como representante do Brasil. Tenho o maior respeito por Sergio Rezende, mas este seu trabalho é equivocado. Falha no que me parece o ponto nevrálgico de um filme sobre os ataques do PCC em São Paulo – densidade dramática e credibilidade. E, mais uma vez, desperdiça-se o talento de Andréa Beltrão, como aconteceu em Verônica.
 
O que eu quero dizer é que havia filmes melhores para representar o Brasil – o que não é garantia de que teriam tido mais sorte nesta pré-lista. Dos dez filmes que disputaram o posto, acho que Jean Charles, de Henrique Goldman, teria sido uma boa escolha. É um filme de público e apelo internacional, pelo tema. E tem consistência. Uma opção mais radical seria o excelente A Festa da Menina Morta, estreia de respeito do ator Matheus Nachtergaele na direção.
 
Mas estamos fora do Oscar, uma disputa que seria, sim, muito legal para os produtores do filme escolhido, que multiplicariam sua colocação comercial, bem mais do que trazer benefícios ao Brasil. Se nos serve de consolo, não estão no páreo produções internacionais excelentes, como o drama romeno Polícia, Adjetivo, de Corneliu Porumboiu, em cartaz no Brasil. O comitê que escolhe os filmes estrangeiros na disputa do Oscar, aliás, não descobriu ainda a originalidade do cinema romeno atual. Azar deles.
 
Finalizando – independente de qualquer coisa, o Brasil continua mantendo uma sólida média de produções anuais, em torno de 100 filmes ao ano, com muita diversidade de gêneros e estilos. Nem sempre com qualidade, mas isto acontece em qualquer cinema do mundo. Apesar dos problemas, alguns de nossos filmes vem sendo descobertos por festivais internacionais importantes e isso é sinal de visibilidade, que traz chances de maior circulação de nossa arte e também de coproduções com outros países – esse sim um caminho que precisa ser cada vez mais trilhado.
 
Dois exemplos recentes – o curta Avós, de Michael Wahrman, que vai estar na mostra Generation, no Festival de Berlim, em fevereiro, e o longa Avenida Brasília Formosa, de Gabriel Mascaro, confirmado na mostra Bright Future do Festival de Roterdã, que começa dia 27. Ninguém precisa chorar, o ano está começando e o cinema brasileiro vai ter muito o que fazer pela frente.

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Comentários:
  • 28/01/2010 - 20h36 - Por Michel - http://verbeat.org/blogs/michelsimoes Neusa,

    O problema é que comparado à safra mundial, o cinema brasileiro não emplacou nenhum filme bom em 2009, enquanto a lista de grandes filmes do ano é ótima, desde Bastardos Inglórios até Michael Haneke e tantos outros
  • 29/01/2010 - 22h06 - Por Neusa Barbosa Oi Michel -
    Olha, até pelo que escrevi, não acho que não tivemos nenhum filme brasileiro bom em 2009... Além de "A Festa da Menina Morta", tivemos "Moscou" e outros que considero ótimos.
    No cinema internacional, houve vários títulos, como os que você menciona, mas também vamos pensar que vieram de muitos países diferentes.
  • 30/01/2010 - 17h27 - Por Michel Neusa,

    Os filmes me decepcionaram em 2009 (não vi Menina Morta), que em 2010 os filmes nacionais sejam tão bons como são Cinema Aspirinas e Urubus, O Céu de Suely, O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias e etc. Garantido já teremos o ótimo Viajo Porque Te Amo, Volto porque Preciso.
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