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De olho nos prêmios

Por Neusa Barbosa em 15/01/2010

Domingo é dia de Globo de Ouro. Uma premiação da crítica estrangeira em Los Angeles que todo mundo, quase por reflexo, costuma dizer que “sinaliza o Oscar”. Não é bem assim. Na verdade, as indicações dos sindicatos de cada categoria – atores, produtores, roteiristas, diretores de arte, etc. – são pistas bem mais seguras de para onde vai o Oscar.
 
Fora os sindicatos, uma das premiações em que se deve prestar bastante atenção é a do National Board of Review, uma entidade que inclui pessoas de diversas formações ligadas ao cinema e é muito respeitada – às vezes, mais do que o Globo de Ouro, que é bem mais mundana. Fora o fato de que a premiação da NBR acontece antes das outras, no final de cada ano.
 
Foi a NBR, por exemplo, que premiou o drama Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow – no caso, seu ator, Jeremy Renner -, abrindo o caminho para a descoberta do filme por uma série de outras premiações (Associações de Críticos de Nova York e Los Angeles, Critics Choice, etc) , depois de passar meio despercebido em sua première, no Festival de Veneza 2008 – onde participou da competição, foi elogiado, mas não conquistou nenhum troféu.
 
A distribuidora brasileira do filme, a Imagem, inclusive tinha até desistido de lançar Guerra ao Terror no cinema – o filme foi lançado em dvd em abril de 2009. Agora, com a avalanche de prêmios e três indicações no Globo de Ouro (melhor filme/drama, direção e roteiro), a distribuidora acordou – e está lançando o filme nos cinemas brasileiros em fevereiro, mesmo mês em que chega ao mercado sua versão blu-ray.
 
Pouca gente duvida de que o filme de Kathryn Bigelow conquiste uma das dez vagas concorrentes ao Oscar - onde ele deve ter a companhia de Amor sem Escalas (melhor filme, ator, atriz coadjuvante e roteiro para a NBR), de Jason Reitman; Avatar, a volta ao ringue de James Cameron; Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino; Invictus, de Clint Eastwood (compensando a injusta esnobada no ano passado ao seu belo Gran Torino); e Precious, de Lee Daniels.
 
Que bom seria se entrasse na lista dos dez do Oscar Um Homem Sério, dos irmãos Coen (cuja quase total esnobada no Globo de Ouro injuriou o jornal inglês The Guardian) e Direito de Amar, a magnífica estreia na direção do estilista Tom Ford.
 
O muito badalado musical Nine, de Rob Marshall, baseado no Oito e ½ de Federico Fellini (uma ousadia) e recheado de estrelas, por sua vez, parece que não vai repetir o êxito do musical Chicago, que levou 6 Oscar em 2002. Mas seus atores e canções podem ser lembrados no domingo. E também no Oscar.
 
Falando em atores, quem não deve ser esquecido nas próximas premiações, seja no Globo, seja no Oscar, deve ser mesmo o inglês Colin Firth, o protagonista de Direito de Amar – que já começou sendo premiado na première do filme, em Veneza. Ele concorre ao Globo de Ouro, assim como a adorável Carey Mulligan, protagonista de Educação, e uma das favoritas a levar o prêmio este ano.
 
Não por acaso, Carey Mulligan foi premiada na NBR (esse pessoal tem faro) e é uma das principais razões para se assistir ao filme de Lone Scherfig – que está entre os 10 mais do Sindicato dos Produtores, candidatíssimo, portanto, a uma vaga na categoria principal do Oscar. Carey, que convence totalmente interpretando uma adolescente com dez anos a menos do que ela, é a grande razão pela qual Educação vibra com autenticidade e não corre o risco de parecer datado.

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