Celulóide Digital

Um ano de boa safra

Por Neusa Barbosa em 11/12/2009

Ano terminando, hora de balanço. Pra começar, a constatação de que 2009 não foi nada mau nas telas.

O cinema brasileiro está cravando a marca dos 80 lançamentos por ano – um recorde -, com bastante qualidade distribuída entre ficção e documentários. Muitos documentários musicais, de novo, mas de ótimo mesmo só Loki – Arnaldo Baptista, de Paulo Fontenelle, em que a graça está não só na música mas no perfil extraordinário do personagem, a alma dos Mutantes.

A mesma coisa se pode dizer de Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Calvito Leal, Cláudio Manoel (um dos Cassetas) e Micael Langer. O forte está no resgate da tragédia de Simonal, dividido entre um grande talento e um erro tremendo, pelo qual ele pagou com juros e a própria carreira.

Andaram muito bem em 2009 os documentários políticos – caso de Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, Mataram a Irmã Dorothy, de Daniel Junge, e Garapa, de José Padilha, todos cutucando com precisão feridas nacionais.

Tanto no cinema nacional como no estrangeiro, os veteranos deram um banho. Foi o caso do brasileiro Domingos de Oliveira, com seu delicioso Juventude; do norte-americano Clint Eastwood em Gran Torino; do polonês Andrzej Wajda e seu doloroso Katyn; e do francês Alain Resnais, com seu imprevisível Ervas Daninhas.

Foi um ano de revelações, também. O ator Matheus Nachtergaele passou à direção com brilho em A Festa da Menina Morta. No cinema francês, registra-se a chegada de Philippe Claudel, e seu drama Há Tanto Tempo que Te Amo. No cinema latino, os novos nomes são Adrián Biniez, do uruguaio Gigante, e a peruana Claudia Llosa (A Teta Assustada), ambos premiados em Berlim.

Deu pra rir sem culpa e mantendo o QI em 2009: À Procura de Eric, de Ken Loach; Simplesmente Feliz, de Mike Leigh, Almoço em Agosto, de Gianni di Gregorio, e o surpreendente Aquele Querido Mês de Agosto, prova de liberdade do português Miguel Gomes. E pra se emocionar sem medo com o francês Horas de Verão, de Olivier Assayas, e Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar.

Nem dos ‘filmes do Oscar’ deu pra reclamar, a safra foi muito boa: Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes; Dúvida, de John Patrik Shanley; O Lutador (que marcou o retorno triunfal de Mickey Rourke e Darren Aronofsky); O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme; Milk, de Gus Van Sant e Frost/Nixon, de Ron Howard. Tomara que o Oscar 2010 continue assim....


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Comentários:
  • 10/01/2010 - 23h41 - Por João Nunes Gostei do seu balanço de 2009. Estão lá todos os filmes bacanas do ano. E quem bom que você mencionou Aquele Querido Mês de Agosto, pois é um filme extraordinário. Pena que foi tão pouco visto. Em Campinas nem entrou em cartaz.
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